O Hospital de Saúde Mental Professor Frota Pinto (HSM), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), está ampliando o serviço especializado no atendimento de pessoas com Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC). A proposta é oferecer assistência qualificada a pacientes adultos e fortalecer a formação de médicos residentes em Psiquiatria.
O ambulatório do Núcleo de Transtorno Obsessivo-Compulsivo (NuTOC) vai atender pessoas com 18 anos ou mais que apresentem diagnóstico confirmado ou suspeita de TOC e necessitem de avaliação especializada. O acesso ao serviço será realizado mediante encaminhamento médico. De acordo com a psiquiatra Paula Vidal, o NuTOC vai ampliar o cuidado a uma população que frequentemente enfrenta dificuldades para obter diagnóstico e tratamento adequados.
“O TOC é um transtorno caracterizado, de forma simplificada, pela presença de pensamentos recorrentes e invasivos que causam sofrimento importante. Em resposta a esses pensamentos, a pessoa costuma apresentar compulsões, que podem ser comportamentos repetitivos ou atos mentais realizados na tentativa de aliviar a ansiedade”, explica.
Segundo a especialista, o transtorno afeta até 3% da população e pode comprometer significativamente a vida dos pacientes. “Muitas pessoas convivem durante anos com sintomas relevantes antes de receberem o diagnóstico correto. Esse atraso impacta diretamente o tratamento e pode gerar prejuízos importantes nos relacionamentos, nos estudos e no trabalho, além de aumentar o risco do desenvolvimento de outros transtornos psiquiátricos, como a depressão”, destaca a especialista.

O psicólogo Wesley Ramos, que está à frente do ambulatório, ressalta que o NuTOC também desempenha um importante papel na qualificação profissional dos futuros especialistas. “Além da assistência aos pacientes, o ambulatório integra as atividades da Residência Médica em Psiquiatria, proporcionando aos médicos em formação a oportunidade de aprofundar conhecimentos e desenvolver habilidades no manejo de uma condição complexa e frequentemente incapacitante”, afirma.
A criação do núcleo foi motivada pela elevada demanda de pacientes com TOC, pela complexidade clínica dos casos e pelo impacto que o transtorno pode causar na vida das pessoas. Entre os fatores associados ao desenvolvimento da condição estão aspectos genéticos, neurobiológicos e ambientais. Eventos perinatais adversos, nascimento prematuro, uso materno de tabaco durante a gestação, situações de violência na infância e algumas infecções infantis podem aumentar o risco para o transtorno.
“O tratamento é realizado por uma equipe multiprofissional, composta por psiquiatras e psicólogos, utilizando abordagens terapêuticas baseadas em evidências científicas. O acompanhamento poderá incluir psicoterapia especializada, tratamento medicamentoso e monitoramento contínuo da evolução clínica e funcional dos pacientes”, frisa Ramos.
