Técnicas tradicionais de relaxamento — como ioga, meditação, músicas tranquilas ou exercícios de respiração — nem sempre funcionam para todos. Para algumas pessoas, práticas menos convencionais têm ganhado espaço como alternativas de alívio psicológico. Entre elas está o chamado jogo de impacto, que envolve palmadas consensuais durante a relação sexual.
Segundo especialistas, estímulos dolorosos controlados podem ajudar a interromper ciclos de pensamentos ansiosos, especialmente em pessoas com ansiedade ou TDAH, ao trazer o foco para o momento presente.
Lisa Finn, educadora sexual da Babeland, em Nova York, explica que esse tipo de prática ativa substâncias naturais de bem-estar no corpo.
“Estímulos dolorosos controlados desencadeiam a liberação de endorfinas e endocanabinoides, que funcionam como analgésicos naturais e elevadores de humor”, afirmou ao The Post.
Ela acrescenta que, quando combinada com a excitação sexual, essa sensação intensa pode se transformar em prazer, devido à alteração nos níveis de dopamina e oxitocina. Pesquisas também indicam que a excitação prévia pode atuar como um analgésico, modulando a forma como o corpo interpreta a dor.
Para pessoas com ansiedade, o elemento central é o controle — algo que o jogo de impacto pode abordar de duas formas:
- Para quem assume o papel dominante, a prática canaliza energia para um tipo de controle estruturado.
- Para quem assume o papel submisso, há a possibilidade de abrir mão do controle em um ambiente considerado seguro e consensual.
Apesar dos possíveis benefícios, Finn reforça que comunicação e consentimento são indispensáveis. Ela recomenda que os parceiros avaliem o nível de intensidade por meio de uma escala simples, de 1 a 10.
“Após cada palmada, quem a recebe indica um número: 1 significa que quase não sentiu e 10 indica que foi doloroso demais. Isso ajuda a calibrar a intensidade, já que a percepção de dor varia entre as pessoas”, explica.
Além disso, a especialista orienta que o casal realize uma “negociação pré-cena”, momento no qual são definidos limites físicos, emocionais e mentais, expectativas e desejos, além da palavra de segurança que deve ser respeitada durante toda a prática.
Um estudo de 2016 já sugeria que participantes envolvidos em atividades BDSM consensuais — especialmente no papel submisso — apresentaram redução significativa de estresse psicológico após as práticas.
Para curiosos que buscam explorar alternativas de alívio emocional, Finn considera as palmadas um ponto de partida acessível.
“É uma prática versátil, que pode ser leve ou mais intensa, e facilmente adaptada às preferências do casal”, comenta.
Apesar do possível efeito terapêutico, a especialista destaca que tais práticas não substituem cuidados médicos ou acompanhamento psicológico.
“Podem ser ferramentas úteis no manejo da ansiedade e do estresse, mas devem complementar, e não substituir, tratamentos de saúde mental”, concluiu.
