O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicou dois editais para preencher, no ano que vem, 9.590 vagas temporárias de nível médio. As inscrições para os processos seletivos simplificados estão abertas até 11 de dezembro no site da FGV, a banca organizadora. Para ajudar os interessados nas oportunidades, o EXTRA traz, abaixo, dicas de professores das disciplinas que cairão nas avaliações.
— O perfil das questões segue o padrão típico da FGV: enunciados longos, muita interpretação e pouca cobrança direta de conteúdo. Cobram conteúdos clássicos, mas sempre contextualizados, exigindo que o candidato compreenda situações práticas — diz Letícia Bastos, professora do Gran Concursos.
Um dos editais publicados é para a função de agente de pesquisas e mapeamento (APM), com 8.480 oportunidades. O outro processo seletivo tem 1.110 vagas para a função de supervisor de coleta e qualidade (SCQ). Além do ensino médio completo, o cargo de supervisor requer Carteira Nacional de Habilitação (CNH), definitiva ou provisória, no mínimo categoria B.
É possível participar das seleções para os dois cargos, visto que as provas, no dia 22 de fevereiro, acontecerão em turnos diferentes. E o custo para cada inscrição é de R$ 38,50.
Apesar dos professores esperarem que as provas não sejam difíceis, a concorrência pode aumentar o sarrafo para a aprovação.
— A seleção vai atrair concurseiros que estão em busca da primeira aprovação e pessoas que nem estão inseridas nesse mercado. Esses concursos de nível médio geralmente atraem muita gente com nível superior também. Então eu acho que a nota de corte tende a ser alta — explica Erick Alves, diretor do Direção Concursos.
A contratação será para um ano de trabalho, podendo ser prorrogada, desde que o prazo total não exceda a três anos. A remuneração para o posto de agente de pesquisas e mapeamento é de R$ 2.676,24 e para supervisor, R$ 3.379. Os selecionados ainda receberão auxílio-alimentação no valor de R$ 1.175, auxílio pré-escolar e outros benefícios.
Agente de Pesquisas e Mapeamento
A prova terá 60 questões, todas com peso um. Serão 20 questões de Língua Portuguesa, 15 de Geografia, 15 de Raciocínio Lógico Matemático, cinco de Noções de Informática e cinco de Ética no Serviço Público.
Supervisor de Coleta e Qualidade
A prova terá 60 questões, todas com peso um. Serão 14 questões de Língua Portuguesa, 14 de Geografia, 14 de Noções de Administração e Situações Gerenciais, oito de Raciocínio Lógico Matemático, cinco de Noções de Informática e cinco de Ética no Serviço Público.
Raciocínio Lógico Matemático
Segundo o professor André Arruda, do Gran Concursos, para o caego de Agente de Pesquisas e Mapeamento, a prova deve exigir raciocínio rápido, interpretação de dados e cálculo prático. Devem cair lógica proposicional e de argumentação, porcentagem, proporções, regra de três, sequências, equações, conjuntos, probabilidade simples, interpretação de gráficos e tabelas, além de problemas práticos envolvendo análise e cálculo.
Os candidatos ao cargo de Supervisor de Coleta e Qualidade devem fazer uma prova de estilo semelhante, que pedirá interpretação numérica, análise lógica e resolução prática de problemas. Devem cair lógica proposicional, tabelas-verdade, equivalências, porcentagem, proporção, regra de três, leitura e comparação de dados, gráficos e tabelas, probabilidade simples e problemas práticos envolvendo decisão, análise e interpretação numérica.
Língua Portuguesa
Para a professora do Gran Concursos Letícia Bastos, as provas de Português devem partir da interpretação de textos. A banca não pergunta “qual é a regra”, “qual é a classe”, “qual é a função” de uma palavra, por exemplo, mas apresenta um texto — geralmente opinativo, jornalístico ou instrucional — e, dentro dele, avalia sentido, referência, progressão textual, inferências e efeitos de escolhas linguísticas. A gramática aparece dissimulada, por meio de reescrita, substituição de termos, alteração de estruturas e análise de coerência. Assim, concordância, regência, crase, pontuação e semântica são cobradas indiretamente, sempre conectadas ao funcionamento do texto. É uma prova que mede leitura fina, atenção às relações de sentido e capacidade de perceber consequências linguísticas no contexto.
Para o cargo de Supervisor de Coleta e Qualidade, o padrão é o mesmo, mas os textos podem ser mais extensos e as questões, mais analíticas. O nível de profundidade também aumenta: a banca exigirá que o candidato reconheça nuances argumentativas, relações lógicas mais sutis e impactos de escolhas gramaticais no sentido global. Regência, pontuação e crase são muito cobradas, mas sempre mascaradas em questões de reescrita, equivalência ou manutenção do sentido. É uma prova de leitura crítica, não de regra gramatical.
Ética no Serviço Público
Glauber Marinho, professor do Gran Concursos, indica que, para os dois cargos, a banca deve utilizar a redação literal do Código de Ética do IBGE, mesmo quando elaborar uma situação hipotética no enunciado das questões. As Regras Deontológicas são as mais cobradas em provas, especialmente os incisos I,III e VII. É comum a comparação entre deveres e vedações de natureza ética com deveres e vedações disciplinares ( Lei 8.112/90, art. 116 e 117). Portanto, o estudo dessas normas precisa ser articulado.
Ainda é possível que a banca trate da penalidade ética, a censura, única aplicada pela Comissão de Ética do IBGE. Entretanto, a banca afirmará que penas disciplinares como advertência e suspensão podem ser aplicadas por essa Comissão, o que é um equívoco. O nível de dificuldade da prova, para ambos os cargos, é baixo.
Geografia
De acordo com Julio Santos, professor do Gran Concursos, o perfil da prova de Geografia para o cargo de Agente de Pesquisas e Mapeamento (APM) do IBGE costuma ser direto e focado nas noções essenciais para a execução das atribuições do cargo, especialmente aquelas relacionadas ao trabalho de campo, coleta de dados geográficos e interpretação de informações cartográficas. Os conteúdos cobrados são fundamentais para o desempenho das tarefas de mapeamento e pesquisa, incluindo a interpretação de mapas, localização em campo e a compreensão da organização territorial brasileira.
Enquanto isso, os candidatos ao cargo de Supervisor de Coleta e Qualidade precisarão ter uma visão mais completa da metodologia de coleta e da organização territorial que impacta a qualidade dos dados. Os conteúdos são semelhantes, mas a exigência de profundidade é maior, com mais foco em planejamento, controle e análise de informações geográficas e populacionais. Os tópicos de Geografia geralmente se interligam com as Noções de Administração e Metodologia de Coleta, devido às funções do futuro profissional.
Noções de Informática
Professor do Gran Concursos, Vitor Kessler indica que a prova para Agente de Pesquisas e Mapeamento terá perfil fácil e prático, explorando o uso direto das ferramentas do dia a dia (Windows, Word, Excel e PowerPoint). Ele simula a distribuição de questões: uma sobre Windows, duas sobre Office, uma sobre Segurança da Informação e uma sobre SIG/Geoinformação. A orientação é focar especialmente em Segurança da Informação e Fundamentos de Geoinformação, por serem os conteúdos menos intuitivos para a maioria dos candidatos.
Para o cargo de Supervisores de coleta e Qualidade, o perfil da prova deve ser o mesmo, com nível de dificuldade ligeiramente superior, cobrando o uso direto de ferramentas de Windows, Office e Internet. A distribuição pode ser: uma questão de Windows, duas de Office/LibreOffice, uma de Redes/Internet e uma de Segurança da Informação. A recomendação é focar o estudo principalmente na suíte Office e nos programas de navegação, que devem concentrar a maior parte das cobranças. O nível de dificuldade da prova deve ser ligeiramente superior à prova do cargo de agente de pesquisa e monitoramento.
Noções de Administração e Situações Gerenciais
Rafael Barbosa, professor do Gran Concursos, indica que a prova para Supervisor de Coleta e Qualidade costuma cobrar fundamentos essenciais da administração — planejamento, organização, direção e controle — além de liderança de equipes, comunicação, gestão de conflitos e tomada de decisão em situações reais de campo. O conteúdo é aplicado, focado na coordenação de equipes e na garantia da qualidade das informações coletadas.
Para fazer uma boa prova, é fundamental resolver questões anteriores da FGV, que revelam o padrão de cobrança e a forma como a banca contextualiza os temas.
