Inadimplência bate novo recorde no Brasil e já atinge quase 75 milhões de consumidores

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A inadimplência voltou a crescer no Brasil e atingiu um novo recorde histórico no mês de abril. Levantamento divulgado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), em parceria com o SPC Brasil, aponta que 74,82 milhões de brasileiros estavam com contas em atraso no período.

O número representa 44,7% da população adulta do país.

Na comparação entre março e abril, houve aumento de 0,81% no total de inadimplentes. Já em relação ao mesmo período do ano passado, o crescimento chega a 9,25%.

Os dados revelam avanço principalmente entre consumidores com tempo mais longo de inadimplência, especialmente aqueles com dívidas acumuladas entre quatro e cinco anos.

Segundo o levantamento, cada inadimplente brasileiro deve, em média, R$ 5.111,64 e possui pendências financeiras com aproximadamente 2,34 empresas.

A pesquisa mostra ainda que:

  • 29,4% dos consumidores têm dívidas de até R$ 500;
  • 41,75% acumulam débitos de até R$ 1 mil.

O número de contas em atraso também aumentou.

Entre março e abril, a alta foi de 1,94%. Na comparação anual, o crescimento chegou a 16,99%.

FAIXA ETÁRIA MAIS ENDIVIDADA

A maior concentração de inadimplentes está entre brasileiros de 30 a 39 anos.

Nessa faixa etária:

  • 18,23 milhões de pessoas estão negativadas;
  • o equivalente a 53,77% da população do grupo.

REGIÕES COM MAIOR ALTA

O Norte do país apresentou o maior crescimento proporcional no número de inadimplentes no comparativo anual:

  • Norte: 10,48%;
  • Sul: 9,97%;
  • Sudeste: 8%;
  • Centro-Oeste: 6,66%;
  • Nordeste: 6,52%.

ORÇAMENTO DAS FAMÍLIAS SOB PRESSÃO

O levantamento aponta que o aumento da inadimplência reflete não apenas dificuldades individuais de organização financeira, mas também o impacto do custo de vida sobre o orçamento das famílias brasileiras.

Com inflação sobre itens básicos e renda pressionada, milhões de consumidores operam no limite financeiro.

O presidente da CNDL, José César da Costa, avaliou que programas de renegociação de dívidas, como o Desenrola, ajudam momentaneamente, mas ainda não conseguem interromper o ciclo de endividamento.

— Sem uma reforma que amplie a renda real, vivemos um “efeito porta giratória”: o cidadão limpa o nome hoje para se endividar amanhã — afirmou.

Segundo ele, muitas famílias conseguem renegociar dívidas antigas, mas acabam retornando rapidamente à inadimplência diante da dificuldade de manter o equilíbrio financeiro.