O fechamento das agências do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) entre a terça-feira (26) e a sexta-feira (1º de março), sob a justificativa de manutenção do sistema da Dataprev, escancarou mais uma vez o abismo entre a burocracia estatal e a realidade de quem depende da Previdência Social para sobreviver.
Em pleno período útil, milhares de segurados e beneficiários foram surpreendidos com portas fechadas, atendimentos suspensos e nenhuma alternativa concreta para resolver problemas urgentes.
A decisão soa ainda mais injustificável quando se observa que serviços de manutenção em sistemas digitais poderiam — e deveriam — ser realizados em fins de semana ou feriados, exatamente para não penalizar quem já enfrenta meses, e às vezes anos, de espera por um benefício.
COMPLETO DESCASO
Ao optar por paralisar o atendimento em dias úteis, como destaca, no Jornal Alerta Feral, o repórter Carlos Silva, o INSS transfere para o cidadão o peso da sua própria desorganização administrativa.
No Jornal Alerta Geral, o jornalista Luzenor de Oliveira, que diariamente orienta aposentados e trabalhadores sobre direitos previdenciários, traduziu o sentimento que ecoa nas filas virtuais e presenciais: indignação. Para ele, trata-se de mais um episódio de descaso com quem sustenta o sistema ao longo da vida inteira e, no momento em que mais precisa, encontra apenas barreiras, instabilidade tecnológica e silêncio institucional.
A suspensão dos serviços agrava um cenário já crítico. São 2,8 milhões de pedidos de benefícios acumulados, perícias atrasadas, revisões paradas e um contingente crescente de pessoas sem renda, dependendo de favores ou da ajuda da família. Cada dia sem atendimento não é apenas um problema administrativo: é comida que falta, remédio que não se compra e contas que se acumulam.
Outro ponto: o argumento de que houve grande procura justamente porque o fechamento foi anunciado revela, na prática, o contrário do que se pretende justificar: mostra que o sistema é frágil, improvisado e incapaz de lidar com a demanda natural da população. Em vez de planejamento, há remendo. Em vez de prevenção, há interrupção.
Ao fechar as agências para “cuidar do sistema”, o INSS esquece do principal: cuidar das pessoas. A Previdência Social não é um favor do Estado; é um direito de quem contribuiu durante décadas. Tratar manutenção técnica como prioridade absoluta, em detrimento do atendimento humano, é inverter a lógica do serviço público.
