“Jamais humilhei uma mulher”, diz Flávio após crise com Michelle

Após a repercussão negativa da crise pública com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), divulgou nesta quinta-feira (25) um vídeo nas redes sociais no qual negou ter desrespeitado a madrasta e buscou reduzir o impacto político do episódio.

A manifestação ocorreu horas depois de Michelle publicar uma mensagem afirmando que não há “briga nem competição” dentro do grupo político bolsonarista. “Para ficar claro: eu não tenho raiva de ninguém. Apenas esclareci uma situação que estava sendo deturpada. Vamos todos trabalhar juntos para derrotar o atual desgoverno”, escreveu a ex-primeira-dama.

Apesar das tentativas de pacificação, o episódio continua sendo explorado por integrantes da base governista. Em conversas reservadas com ao site Correio, aliados da ala bolsonarista afirmaram considerar verdadeiros os fatos narrados por Michelle em vídeo divulgado na terça-feira (24), quando ela relatou ter se sentido desrespeitada durante discussões sobre os rumos políticos do PL no Ceará.

Entre alguns bolsonaristas, a avaliação é de que Flávio tenta agora adotar um discurso de conciliação e ampliar sua interlocução com o eleitorado feminino, segmento em que pesquisas recentes indicam maior resistência ao seu nome.

No vídeo divulgado hoje, Flávio rejeitou as acusações de que teria tratado Michelle de forma desrespeitosa.

“Eu nunca humilhei uma mulher na minha vida. Sou casado há 16 anos, pai de filhas maravilhosas. Nunca desrespeitei, maltratei ou humilhei uma mulher na minha vida. Eu jamais faria isso com a esposa do meu próprio pai”, afirmou.

O senador também procurou destacar sua relação com a ex-primeira-dama e reconhecer sua atuação política dentro do partido.

“Em nenhum momento eu ofendi ou tive a intenção de ofender a Michelle. Se eu fiz em algum momento, mais uma vez eu peço desculpas. Tenho respeito por ela, reconheço o trabalho dela no PL Mulher, o recorde de filiações femininas, o trabalho com surdos, pessoas com doenças raras, pelo cuidado com meu pai e por tudo o que ela representa para o Brasil”, declarou.

A crise teve origem em divergências sobre a estratégia eleitoral do PL no Ceará. Michelle defende a candidatura do senador Eduardo Girão (Novo-CE) ao governo estadual e a manutenção da vereadora Priscila Costa (PL-CE) como candidata ao Senado. Já aliados de Flávio e do deputado André Fernandes (PL-CE) defendem uma estratégia mais ampla para enfrentar o PT no estado, incluindo aproximações que vinham sendo discutidas com setores ligados ao ex-governador Ciro Gomes (PSB-CE).

Nos bastidores da oposição, o episódio produziu leituras distintas. Uma ala avalia que a crise revela uma disputa crescente por espaço político dentro do bolsonarismo e pode fortalecer especulações sobre uma eventual candidatura presidencial de Michelle em cenários futuros. Outra corrente, porém, minimiza o conflito e o classifica como uma divergência familiar sem potencial para alterar os rumos da disputa de 2026.

Na reta final da mensagem, Flávio reforçou o convite para que Michelle participe de uma reunião marcada para a próxima semana voltada à formulação de propostas para mulheres.

“O convite segue de pé e o coração segue aberto, Michelle. […] Acredito que o diálogo, o respeito e a união vão ser sempre o melhor caminho”, declarou.