A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, entrou diretamente no debate nacional sobre o fim das bets e, nesta terça-feira (3), entregou ao ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), um relatório sobre os danos provocados pelas apostas online à saúde mental, à estabilidade financeira e à convivência familiar dos brasileiros.
O documento foi apresentado durante a audiência pública convocada pelo magistrado para discutir a medida provisória editada pelo governo Lula que proíbe a exploração das apostas de quota fixa no Brasil.
MAIS VISIBILIDADE E MAIS PRESSÃO
A iniciativa de Janja dá maior visibilidade a uma das faces mais preocupantes da jogatina: o sofrimento das mulheres que convivem com familiares dependentes das apostas.
São mães, esposas e outras integrantes das famílias que, mesmo sem participar dos jogos, podem enfrentar as consequências do endividamento, da perda de renda, dos conflitos domésticos e dos problemas emocionais provocados pelo vício.
MAIS APOIO DE MULHERES
A entrada da primeira-dama no debate também poderá ampliar a mobilização de mulheres e organizações da sociedade civil em defesa da proibição das bets, além de aumentar a pressão política sobre deputados federais e senadores responsáveis pela análise da Medida Provisória nº 1.394/2026, que tramita no Congresso Nacional.
SAÚDE MENTAL E FINANCEIRA
O documento tem como título “Mulheres e Bets, o custo das apostas online para as brasileiras e suas famílias” e foi desenvolvido pelo Estúdio Clarice.
Na abertura da audiência pública, Luiz Fux fez referência ao material recebido e destacou a abrangência do levantamento.
“Janja me entregou um relatório bastante volumoso e detalhado sobre o novo panorama, sobre as bets”, afirmou o ministro.
O estudo expõe os reflexos das apostas na vida das mulheres, especialmente aquelas que precisam administrar as dificuldades financeiras da casa, preservar o sustento dos filhos e enfrentar situações de sofrimento emocional relacionadas à dependência de familiares.
Em manifestação nas redes sociais, Janja reforçou a preocupação com os efeitos da jogatina para além dos próprios apostadores.
“O vício nas apostas online se tornou um problema de saúde pública que não afeta apenas a vida de quem aposta, ele adoece toda a família, principalmente as mulheres. São as mulheres que sentem o principal peso desse vício”, escreveu a primeira-dama no Instagram.
PRESSÃO SOBRE CONGRESSO NACIONAL
A participação de Janja representa um novo componente político e social na discussão sobre a continuidade das apostas online no Brasil.
Ao dar destaque às consequências da dependência sobre mães, esposas e famílias, a primeira-dama contribui para deslocar parte do debate dos interesses comerciais das empresas de apostas para os problemas enfrentados dentro dos lares brasileiros.
A mobilização poderá alcançar organizações femininas, movimentos sociais e entidades que atuam na proteção das famílias, na defesa dos consumidores e na prevenção de problemas de saúde mental.
O movimento também amplia a atenção sobre o Congresso Nacional, onde deputados federais e senadores terão de examinar a medida provisória que determina a proibição das bets.
FUX REBATE CRÍTICAS
Relator das ações que questionam a proibição, Luiz Fux aproveitou a abertura da audiência para responder às críticas sobre a escolha dos participantes.“Não procede a informação que eu só convoquei empresas e times de futebol”, declarou o ministro.
A convocação de clubes de futebol, empresas de apostas e entidades com interesses econômicos no setor havia provocado questionamentos sobre a representatividade do debate. Após pressões, o ministro convocou representantes dos supermercados e dos Ministérios da Justiça e da Saúde.
APOIO AO FIM DAS BETs
Fux também recuperou manifestações anteriores em que criticou os efeitos sociais das apostas online, incluindo referências a situações de violência doméstica, sofrimento psicológico e tentativas de suicídio associadas à dependência em jogos.
A audiência reuniu representantes de clubes como Flamengo, Fluminense, Botafogo, Cruzeiro, São Paulo, Corinthians, Ponte Preta, Vitória, Guarani e Portuguesa, além de entidades do setor de apostas, órgãos do governo federal e instituições jurídicas.
Entre os participantes estavam a Procuradoria-Geral da República (PGR), a Advocacia-Geral da União (AGU), o Ministério da Fazenda, a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR).