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O início do ano letivo nos Centros de Medidas Socioeducativas instalados no Estado – nove na Capital e dois no interior – está marcado para o próximo dia 16 de março. Uma nova proposta de grade curricular está sendo inaugurada para o público jovem em conflito com a lei, elaborada por vários órgãos públicos da área educacional. O objetivo é transformar o pensamento e a forma de encarar os desafios futuros, mostrando que existem alternativas além dos riscos de conviver na marginalidade.

Segundo a secretária adjunta da Secretaria Estadual de Educação (Seduc), Márcia Campos, o perfil do jovem privado de liberdade, em boa parte dos casos, está associado à baixa escolarização. “Muitos sequer são alfabetizados. Temos que proporcionar uma escolarização específica, que os ajude a perceber a importância da cultura letrada, que os motive a estudar e a modificar a rota de vida para que possam ter aspirações, sonhos, e acreditem que é possível viver de forma digna e ética, estando inseridos socialmente, o que seria muito difícil sem a escolarização”, disse Márcia Campos, ao explicar o desafio da secretaria e seus parceiros em transformar a realidade dos jovens em conflito com a lei.

O principal desafio de promover escolarização a adolescentes internos diz respeito a formação do professor. Esse profissional precisa saber para quem destina sua prática docente, ou seja, conhecer as especificidades desses jovens e usar os conteúdos da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) não apenas como transmissão de conhecimento, mas, dar sentido à aprendizagem. Cuidar desses jovens é a filosofia.
O titular da Superintendência do Sistema Estadual de Atendimento Socioeducativo (Seas), Cássio Franco, lembra da importância de se realizar formações continuadas com os professores, sobretudo para evitar a concepção de ideias distorcidas a respeito da realidade dos jovens. “Temos duas visões muito equivocadas a respeito do jovem. Uma diz que ele é uma vítima da sociedade, que teve violação de direitos. Outro pensamento é a de que, pelo fato de ter cometido um ato infracional, não tem recuperação. O jovem que cometeu ato infracional tem uma trajetória pessoal. É preciso entender a trajetória histórica dele e, a partir daí, responsabilizá-lo, utilizando propostas pedagógicas que façam com que ele reflita sobre o que fez e se porte diante da vida de uma outra forma”, argumenta.

O resultado desses entendimentos foi apresentado ontem, quinta-feira, no lançamento do calendário do ano letivo 2017.  A solenidade de abertura foi realizada na sede da Vice-Governadoria do Ceará, e contou com a presença da secretária adjunta Marcia Campos, da secretária executiva da Vice-Governadoria do Estado e coordenadora do Pacto por um Ceará Pacífico nos territórios, Carla da Escóssia, e do secretário adjunto de Educação de Fortaleza, Jefferson Queiroz.

Um total de 800 jovens está matriculada nos ensinos Fundamental e Médio, em nove Centros de Medidas Socioeducativas localizados na Capital. Há outros dois equipamentos no Interior situados nos municípios de Juazeiro do Norte e Sobral. Já a formação dos professores acontecerá nos dias 13 e 14 deste mês, onde serão abordados conteúdos que orientam o planejamento, as práticas docentes e a avaliação das atividades educacionais desenvolvidas nos CMSE. Ao todo, 70 profissionais participarão do curso.

Fonte: Secretaria Estadual de Educação