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O ministro Extraordinário da Segurança Pública, Raul Jungmann, admitiu nessa quarta-feira, 28, em sua primeira entrevista coletiva, considerar razoável que o presidente Michel Temer se candidate à reeleição a partir de uma eventual melhora na área que passou a comandar.

“É dever do homem público atender as demandas populares. Se isso o beneficia, é uma questão secundária. Agora, se há um benefício nesses termos é razoável que isso aconteça (se candidate)”, disse Jungmann.

Em duas horas de entrevista, o ministro apresentou uma série de iniciativas que pretende levar adiante na sua gestão. Ele classificou o tempo no ministério como “curto” e que a caminhada será árdua.

Inicialmente, Jungmann disse ter havido um acerto com o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, para que os recursos para a área de Segurança Pública não sejam contingenciáveis, isto é, possam sofrer ao longo do ano restrições orçamentárias para a sua liberação.

Segundo ele, a Pasta deverá ter 2,7 bilhões de reais em verba em 2018, recursos que serão deslocados da pasta da Justiça. Jungmann não fez, entretanto, anúncio de novos repasses – disse que isso deverá ser feito em breve pelo presidente Michel Temer.

O ministro disse, por exemplo, que pretende acelerar a construção de penitenciárias, se valendo até do programa de investimentos do Governo Federal, e também firmar parcerias com os Estados para a construção de presídios. A intenção é que as unidades da Federação terão de se comprometer com contrapartidas para receberem recursos.

Jungmann defendeu que, para conseguir a verba, em dois anos, não poderá haver mais de 2% do efetivo total dos policiais em atividades administrativas. Ele citou o caso do Rio de Janeiro, que tem mais de 2 mil policiais em atividades internas ou até mesmo em outros órgãos.

O ministro também disse que vai trabalhar para aumentar o efetivo de policiais federais e de policiais rodoviários federais, com a realização, para cada uma das instituições, de concurso público para 500 novos integrantes cada. Ele também falou em aumentar o videomonitoramento em rodovias federais e colocar policiais rodoviários federais para trabalharem na folga com o pagamento de bônus.

Entre uma das iniciativas para a área, Jungmann afirmou que vai consultar pessoas da sociedade civil e da área empresarial para ajudar na formatação de ações na área de Segurança Pública. Disse ter conversado, na manhã dessa quarta, com o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, que, segundo ele, prontificou-se a ajudar.

Liberdade

O novo titular da Segurança Pública disse ter pedido a Temer, quando foi escolhido para o cargo, liberdade para montar a equipe. Ele evitou criticar diretamente Fernando Segovia, que demitiu do comando da Polícia Federal após se envolver numa série de polêmicas, entre elas indicar, em entrevista à Reuters, que um inquérito contra Temer tendia a ser arquivado.

Jungmann disse que conhece o novo diretor-geral da Polícia Federal, Rogério Galloro, há bastante tempo, citando o fato de terem atuado – ele como ministro da Defesa e o outro como secretário-executivo da PF – durante as Olimpíadas no Rio de Janeiro em 2016.

Segundo o ministro, foi daí que surgiu uma admiração e proximidade, aspectos que ele precisa para montar a sua equipe. Ele disse que iria apresentar Galloro a Temer “logo mais”. O novo chefe da PF não esteve presente na coletiva.

Jungmann afirmou que vai receber indicações do novo comandante da PF para cargos da cúpula da corporação e vai analisar os nomes, se for o caso. Questionado se iria interferir nas nomeações, ele rebateu. Explicou que esse tipo de nomeações –para diretorias da polícia– passam pela Casa Civil e o presidente é quem toma a decisão.

Lava Jato

O ministro garantiu que, na sua gestão, a operação Lava Jato terá todo o “nosso apoio”. “Ela continuará a ser uma prioridade, juntamente com outras que são de responsabilidade da Polícia Federal”, disse. Ele disse também, sem dar detalhes, que 20 delegados a mais serão deslocados para se juntar à equipe que investiga crimes de corrupção. Disse ter orientado Galloro a combater o crime e a corrupção.

Bomba Atômica

Jungmann justificou a decisão de o governo federal fazer uma intervenção federal na área de segurança pública do Rio de Janeiro. Para ele, a situação daquele Estado –que passa por uma crise econômica, fiscal, moral e de segurança– exigia uma providência. E avaliou que não vê, apesar de situações graves em outros Estados, outro caso que demande uma intervenção federal.

O ministro até parafraseou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso quando ele se referiu ao impeachment. “Impeachment é como bomba atômica, você tem, mas não usa”, disse.

Com informações da Reuters

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