A prática regular de exercícios físicos pode trazer ganhos concretos para pacientes com cânceres geniturinários avançados, segundo um estudo brasileiro apresentado no Simpósio de Câncer Geniturinário da Associação Norte-Americana de Oncologia Clínica em San Francisco, nos Estados Unidos. A pesquisa indica que a atividade física está associada à melhora da qualidade de vida — efeito que parece ser explicado, em grande parte, pela redução da fadiga, um dos sintomas mais comuns durante o tratamento oncológico.
O estudo acompanhou 75 pacientes com tumores metastáticos de próstata, rim e bexiga que estavam iniciando terapia sistêmica. Durante 12 semanas, os participantes seguiram um programa remoto de exercícios supervisionados, com planos individualizados que incluíam de três a cinco horas semanais de atividades aeróbicas e de resistência, além de encontros virtuais com um fisiologista.
Fadiga
Os resultados mostram que pacientes com maior adesão ao programa apresentaram redução mais significativa da fadiga. Essa melhora, por sua vez, esteve diretamente relacionada ao aumento da qualidade de vida, sugerindo que o controle desse sintoma é um dos principais mecanismos por trás dos benefícios observados.
Obstáculos
Apesar das evidências crescentes, a incorporação do exercício físico à rotina oncológica ainda enfrenta obstáculos. Um levantamento realizado em 2025 pelo mesmo pesquisador, com 454 médicos de 21 países da América Latina, revelou desigualdades importantes entre os sistemas público e privado. Oncologistas da rede pública relataram menor frequência na avaliação dos hábitos de atividade física dos pacientes, menor encaminhamento para programas específicos e menos orientação sobre o tema.
Entre as barreiras mais citadas estão a falta de locais adequados para encaminhamento, mencionada por 86% dos profissionais da rede pública, além dos efeitos colaterais dos tratamentos e da falta de capacitação para prescrever exercícios com segurança.
