Em 23 de junho de 1993, Lorena decepou o pênis do marido, John Wayne Bobbitt, com uma faca de cozinha. Durante julgamento por lesão corporal dolosa, Lorena alegou que John a estuprou e a espancou em diversas ocasiões, inclusive naquela noite. John negou as acusações.
O incidente gerou um frenesi na mídia, colocando John e Lorena sob os holofotes, com seus respectivos julgamentos virando grande atração da imprensa dos EUA e do exterior. John foi posteriormente absolvido da acusação de agressão sexual conjugal, enquanto Lorena foi absolvida da acusação por insanidade temporária.
Nos anos seguintes, o caso se tornou tema de diversas séries documentais, livros, podcasts e até mesmo de um filme para a TV, este último do qual a própria Lorena ajudou a produzir.4
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Como eles se conheceram?
Nascida em 1969 no Equador e criada na Venezuela, Lorena emigrou para os EUA com um visto de estudante e se matriculou numa faculdade comunitária na Virgínia. Em 1988, Lorena conheceu John, um fuzileiro naval, em um baile de oficiais do Corpo de Fuzileiros Navais.
“Eu achava John muito bonito. Olhos azuis. Um homem de uniforme, sabe? Ele era quase como um símbolo: um fuzileiro naval lutando pelo país. Eu acreditava neste lindo país. Fiquei encantada. Eu queria o meu Sonho Americano”, disse ela à “Vanity Fair”.
Os dois se casaram em 18 de junho de 1989 e se estabeleceram em Manassas (Virgínia, EUA).
Violência conjugal
John deixou o Corpo de Fuzileiros em 1991. O “sonho americano” virou um pesadelo.
Lorena contou à ABC News em 1993 que John se tornou abusivo apenas um mês após o casamento — primeiro verbalmente, depois física e sexualmente.
“Toda vez que ele me bate, ele tenta me forçar a fazer sexo novamente. É no chão. Ele simplesmente me prende. Eu me sinto presa”, recordou ela.
Ao longo do casamento, a polícia local respondeu a algumas denúncias de violência doméstica na casa dos Bobbitt. Num desses casos, John foi acusado de agressão física. Em resposta, ele acusou também a esposa de agressão. Dias depois, as duas acusações foram retiradas.
O ataque
Na noite de 23 de junho de 1993, após longa bebedeira, John chegou em casa e estuprou Lorena antes de adormecer, segundo a denúncia dela. Em seguida, Lorena foi até a cozinha para pegar um copo d'água e viu uma faca no balcão. Ela então voltou para o quarto e usou a faca para desmembrar o pênis do marido.
“Eu não queria dar uma lição nele. Era sobrevivência. Vida ou morte. Eu temia pela minha vida”, disse ela à “Vanity Fair”.
De lá, Lorena fugiu no seu carro e jogou o pênis de John pela janela. O membro amputado foi posteriormente recuperado pela polícia e cirurgicamente reimplantado no corpo de John após uma operação de nove horas.
O que faz Lorena?
Lorena agora usa o sobrenome de solteira: Gallo. Ela vive com a filha e um parceiro de mais de 20 anos, de acordo com a “Time”. Após o caso bombástico, Lorena se especializou em defender vítimas de violência doméstica. Ela criou a Fundação Lorena Gallo, uma organização sem fins lucrativos que oferece serviços de prevenção, intervenção e conscientização sobre violência doméstica e agressão sexual no condado de Prince William (Virgínia).
“Uma das minhas missões é educar o público e as jovens sobre os sinais de alerta ao se relacionar com um agressor”, disse ela à “Time”. “Sou voluntária em abrigos locais para vítimas de violência doméstica no norte da Virgínia. Sou facilitadora. Não sou médica, nem psicóloga, mas ensinamos as pessoas a estabelecer limites, para que, no fim, elas mesmas acabem descobrindo a resposta”, emendou.
O que aconteceu com John?
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Após ter o pênis reimplantado e absolvido, John chegou a trabalhar como ator pornô. Ele reside em Sarasota (Flórida).
O ex-fuzileiro foi preso diversas vezes e cumpriu pena por violência contra duas mulheres diferentes, segundo o “New York Times”. Ele novamente negou as acusações.
Durante uma entrevista em abril de 2024 para o “Sun”, John revelou que foi diagnosticado com polineuropatia periférica tóxica, uma condição relacionada ao seu tempo em Camp Lejeune, uma notória base militar na Carolina do Norte, onde a água foi severamente contaminada na década de 1980.
John alega que a condição o levou a desenvolver danos nos nervos e osteomielite, uma infecção óssea que leva a úlceras e requer enxertos de pele. Em 2023, ele teve os dedos restantes do pé amputados, o que, segundo ele, o deixou impossibilitado de trabalhar.
O ex-fuzileiro naval também atribui o fim de seu casamento com Lorena aos efeitos colaterais da contaminação em Lejeune:
“Eu não estava me comportando como deveria. Talvez eu tivesse tomado decisões melhores se meu funcionamento cognitivo não estivesse distorcido pelos produtos químicos.”
(*)com informação do Jornal Extra Page Not Found
