O presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenou, neste sábado, os ataques anunciados pelos Estados Unidos contra a Venezuela, classificando a ação como uma afronta gravíssima à soberania venezuelana e um precedente perigoso para a ordem internacional. Em nota oficial, Lula afirmou que o uso da força, em desrespeito ao direito internacional, abre caminho para um cenário de instabilidade, violência e enfraquecimento do multilateralismo.
“Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo”, destacou o presidente. Segundo ele, a posição do Brasil é coerente com a postura histórica de condenação ao uso da força em conflitos recentes em diferentes regiões do mundo.
Embora não tenha citado diretamente a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, Lula ressaltou que a ação remete aos piores momentos da interferência externa na América Latina e no Caribe, colocando em risco a preservação da região como zona de paz.
O presidente defendeu uma resposta firme da comunidade internacional, especialmente no âmbito da Organização das Nações Unidas (ONU). “O Brasil condena essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação”, afirmou.
Nos últimos meses, Lula vinha tentando atuar como mediador na escalada de tensões entre Estados Unidos e Venezuela. Em dezembro, chegou a defender publicamente o diálogo para evitar uma “guerra fratricida” na região e mencionou a intenção de tratar do tema com o então presidente americano Donald Trump, embora não haja confirmação de que a conversa tenha ocorrido.
O ataque foi anunciado por Trump por meio de rede social, onde afirmou que forças americanas realizaram uma ofensiva de grande escala contra a Venezuela e prometeu mais detalhes em coletiva de imprensa em Mar-a-Lago, na Flórida. Até o momento, não foram esclarecidos o destino de Maduro nem a base legal da operação.
Diante da gravidade do episódio, o governo brasileiro convocou uma reunião de emergência na manhã deste sábado, sob coordenação da embaixadora Maria Laura da Rocha, número dois do Itamaraty. A prioridade, segundo interlocutores, é reunir informações detalhadas sobre a operação antes de qualquer novo posicionamento oficial, diante das lacunas existentes sobre as circunstâncias e a legalidade da ação.
Imagens divulgadas nas redes sociais mostram helicópteros das Forças de Operações Especiais dos Estados Unidos sobrevoando Caracas durante a madrugada, enquanto explosões eram registradas em diferentes pontos da capital venezuelana. Relatos ainda não confirmados indicam que aeronaves do tipo CH-47G Chinook teriam sido utilizadas em ataques que atingiram, além de Caracas, os estados de Miranda, Aragua e La Guaira, segundo o governo da Venezuela.
