Lula e Flávio apresentam visões diferentes para o trabalho e a economia em novos programas eleitorais

A propaganda eleitoral gratuita dos candidatos à Presidência da República desta quinta-feira (15/10) foi marcada por críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre o fim da escala de trabalho 6×1 e pela apresentação de propostas econômicas do candidato da oposição.

Enquanto Lula defendeu a redução da jornada sem corte salarial e acusou o adversário de mudar de posição sobre o tema, Flávio apresentou o Ministério da Prosperidade, pasta que pretende criar caso seja eleito.

A peça de Lula, exibida primeiro, destacou a aprovação da proposta pelo Senado na quarta-feira (14) e afirmou que o petista é o único candidato capaz de garantir o fim da escala 6×1 sem reduzir os salários dos trabalhadores. A propaganda também acusou Flávio de ter mudado de posicionamento após a pressão do presidente e de manifestações populares.

Segundo o programa petista, o senador pretende rever e derrubar a proposta caso vença a eleição. Além das críticas relacionadas à jornada de trabalho, a campanha retomou questionamentos sobre a atuação política do candidato do PL e mencionou o Banco Master. O objetivo foi associar o adversário a controvérsias e apresentar Lula como o candidato comprometido com a manutenção dos direitos trabalhistas.

Na propaganda de Flávio Bolsonaro, o principal destaque foi a criação do Ministério da Prosperidade. De acordo com o candidato, a pasta reuniria iniciativas para ampliar as oportunidades de qualificação profissional, facilitar o acesso ao crédito e incentivar a abertura de empresas.

Flávio afirmou que o Bolsa Família será mantido e fortalecido e defendeu que as ações do ministério permitam aos brasileiros aumentar a renda, estudar, empreender e conquistar autonomia financeira. A proposta, porém, não consta no plano de governo registrado pelo candidato no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No documento apresentado à Justiça Eleitoral, Flávio propõe reduzir em pelo menos dez o número de ministérios, sem incluir a nova estrutura entre as medidas previstas.

O programa do candidato do PL também apresentou o chamado “ViraPix”, iniciativa que, segundo Flávio, devolverá aos consumidores parte do dinheiro gasto em pagamentos, incluindo despesas com contas de energia elétrica e prestações. A propaganda, no entanto, não detalhou como o mecanismo funcionaria, e a proposta também não aparece no plano de governo registrado no TSE.

A campanha voltou a explorar as manifestações pró-Lula realizadas no domingo (11), em São Paulo, exibindo imagens da depredação de uma estação de metrô durante o ato. Com abordagens distintas, os programas colocaram em evidência temas ligados ao trabalho, à renda e à assistência social, ao mesmo tempo que buscaram questionar as propostas e a atuação política dos adversários na disputa presidencial.