Lula entrega ao TSE autorização para abrir sigilos dos últimos oito anos e desafia Flávio a fazer o mesmo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, apresentou nesta terça-feira ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma petição na qual autoriza a divulgação de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos oito anos, desde que o adversário no segundo turno, Flávio Bolsonaro (PL), também concorde em disponibilizar informações equivalentes.

A proposta inclui ainda dados de familiares dos dois candidatos e de empresas com as quais mantenham vínculos societários ou financeiros.

O pedido foi distribuído inicialmente ao ministro André Mendonça. A apresentação da petição, porém, não significa divulgação automática dos dados. A iniciativa depende de análise e dos procedimentos jurídicos cabíveis.

Lula apresentou publicamente a ideia durante o debate da Band, no domingo, ao rebater acusações de corrupção feitas durante a campanha.

“Eu vou fazer uma proposta para você para amanhã abrirmos a nossa conta bancária e o nosso sigilo bancário para que o povo brasileiro saiba quem é ladrão nesse país. Eu abro da minha família e você abre da sua”, afirmou durante o debate.

Na ocasião, Lula propôs que os documentos fossem entregues às autoridades responsáveis pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Tribunal Superior Eleitoral antes da votação do segundo turno.

AUTORIZAÇÃO TAMBÉM INCLUI FAMILIARES

Nesta terça-feira, durante agenda de campanha no Maranhão, o presidente voltou a cobrar reciprocidade de Flávio Bolsonaro.

“O meu, dos meus filhos, da Janja, e que ele faça também da família dele. Ele entre na Justiça autorizando quebrar o sigilo porque estou disposto a que a sociedade brasileira saiba quem é que é ladrão e quem é que é corrupto nesse país”, declarou.

Na fala, Lula também fez referência ao pai do adversário. As acusações e qualificações utilizadas pelo presidente fazem parte do confronto eleitoral entre as duas candidaturas e não representam, por si só, conclusão judicial sobre eventuais responsabilidades.

A posição de Lula sobre a forma de disponibilizar os dados foi sendo detalhada ao longo dos últimos dias. No debate da Band, falou inicialmente em abrir os sigilos. Na segunda-feira, durante ato em Porto Alegre, disse que prepararia uma procuração autorizando o acesso às informações.

Nesta terça, a campanha formalizou a iniciativa perante o TSE, condicionando a abertura à adoção da mesma medida por Flávio Bolsonaro.

PT DIZ QUE OBJETIVO É COMPARAR OS DOIS CANDIDATOS

O secretário de Comunicação do PT, Éden Valadares, afirmou que a exigência de reciprocidade faz parte da estratégia da campanha de confrontar as acusações feitas durante o segundo turno.

“São dois candidatos a presidente da República, não é um candidato único. O presidente está fazendo um desafio não para provar a inocência, mas para mostrar quem é quem, quem realmente deve e quem realmente está enrolado”, destacou.