O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cobrou um pedido de desculpas do senador Flávio Bolsonaro (PL) após o adversário fazer referência à amputação do dedo mínimo da mão esquerda do petista durante o debate da TV Globo, realizado nesta sexta-feira (23). Em direito de resposta concedido pela organização do evento, Lula ressaltou sua trajetória profissional e criticou o histórico de trabalho do senador.
“Me chamou de nove dedos, se alguém aqui nesse púlpito sabe o que é trabalho, sou eu. Não vou permitir que um miliciano me chame de nove dedos. Nunca trabalhou na vida e não sabe o que é uma carteira profissional”, declarou o presidente.
Após a manifestação de Lula, Flávio se desculpou pelo comentário. “Se eu ofendi, eu te peço desculpas, não queria te ofender”, afirmou o candidato do PL.
Na sequência, porém, o senador questionou se o presidente também pediria desculpas à população pelos problemas sociais que, segundo ele, marcaram a atual gestão federal.
Endividamento e políticas sociais entram no debate
Flávio citou o endividamento das famílias, o custo dos alimentos, a violência contra as mulheres e o aumento da população em situação de rua como pontos de crítica ao governo Lula.
O senador também questionou o momento do anúncio do reajuste do Bolsa Família, divulgado 17 dias antes do primeiro turno das eleições. Além disso, mencionou as ações de combate à Cracolândia realizadas durante a gestão do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como referência para políticas voltadas a pessoas que fazem uso de drogas.
Lula, por sua vez, defendeu o histórico de políticas sociais de seus governos e afirmou que ainda há medidas a serem implementadas para enfrentar os problemas do país.
“Quem tem que pedir desculpa ao Brasil é a elite brasileira”, declarou o presidente, ao rebater as críticas do adversário.
O episódio marcou um dos momentos de maior tensão do debate, que também abordou questões econômicas, segurança pública e programas sociais na reta final da campanha presidencial para o segundo turno, marcado para domingo (25).