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Uma pesquisa do Instituto Ideia Big Data revela que a maioria dos brasileiros acredita que o ex-presidente Lula terá um julgamento justo, nesta quarta-feira, 24. Lula será julgado hoje pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), após ser condenado pelo juiz Sérgio Moro a nove anos e meio de prisão no caso do tríplex do Guarujá.

O Instituto Ideia Big Data ouviu 2.002 entrevistados em 39 cidades do país. Entre as pessoas que responderam, 56% disseram acreditar que o TRF-4 fará uma apreciação justa do recurso de Lula contra sua condenação em primeira instância no caso do tríplex, no Guarujá (SP). Um terço (33%) dos pesquisados disse não saber responder e 11% duvidaram da isenção do tribunal.

Os entrevistados foram ouvidos pelo Ideia Big Data por telefone. Eles moram nas 27 capitais estaduais, incluindo Brasília, e em outros 12 grandes centros urbanos. A metodologia da pesquisa seguiu a distribuição populacional do País medida pelo IBGE ao fazer o recorte geográfico, e tem margem de erro de 2,35%.

Para o fundador do Ideia Big Data, Maurício Moura, este número reflete a credibilidade que a Lava-Jato acumulou junto à opinião pública nos últimos anos. Para ele, não existe a percepção na população de que exista um processo injusto. O apoio dos brasileiros, segundo Maurício Moura, existe mesmo entre eleitores dispostos a votar no ex-presidente.

Para o fundador do Ideia Big Data, que também é professor de estatística aplicada às ciências sociais na Universidade George Washington, na capital americana, isso não quer dizer que as pessoas achem que Lula vai ser impedido de ser candidato se condenado.

Uma segunda pergunta mediu um dos impactos que o resultado do julgamento terá na eleição presidencial, ainda que a batalha jurídica de Lula pela candidatura continue. Uma maioria ainda mais expressiva, de 63%, declarou que não pretende mudar de voto em função do julgamento. Apenas 15% admitiram que sua escolha pode ser afetada.

De acordo com Maurício Moura, isso se explica por dois fatores: é uma resposta comum a lulistas e a antilulistas, já que ambos não pretendem mudar de voto. Além disso, segundo o professor, a maioria do apoiadores do ex-presidente acredita que ele não terá a candidatura barrada.

O instituto perguntou ainda se o entrevistado concordava com a frase de que “eleição sem um ex-presidente, em função de decisão judicial, é fraude?”. Quatro em cada cinco (80%) dos ouvidos respondeu que discorda da frase, contra 8% que disseram concordar. Uma quarta pergunta mediu o apoio ao PT entre as pessoas ouvidas. Dois terços (65%) responderam que são “desfavoráveis” atualmente a atuação do partido, frente a 16% que apoiam o PT. Outros 19% afirmaram que nem aprovam nem desaprovam. Por fim, o Ideia Big Data fez duas perguntas dirigidas apenas aos pesquisados que, na quarta questão, afirmaram ser simpatizantes do PT (16% do universo de duas mil entrevistas).

A ideia era medir a opinião de defensores do partido sobre os próximos passos do ex-presidente e da legenda no caso de uma condenação. Primeiro, foi perguntado sobre o que Lula deve fazer se ficar inelegível. A grande maioria (83%) não soube responder. Entre as opções disponíveis, o apoio ao ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad foi a mais escolhida (6%). Outros 4% preferiram o apoio ao ex-governador da Bahia, Jaques Wagner. As demais opções — apoiar Ciro Gomes (PDT), Manuela D’Ávila (PCdoB), Guilherme Boulos (PSOL) ou boicotar a eleição — tiveram 2% ou menos, porcentagem menor que a margem de erro.

Transferência de votos

Sobre a atitude do PT em caso de condenação de Lula, a maior parte (44%) entre os apoiadores do partido optou por “recorrer e insistir na candidatura”. Outros 38% disseram não saber responder. Apoiar um nome do PT (11%) ou de fora do partido (6%) também foram citados.

Maurício Moura explica que as últimas perguntas mostraram que faz sentido a estratégia do PT de anunciar que insistirá até o fim na candidatura de Lula, o que deve ser também fruto de pesquisas próprias. Para ele, nenhum outro nome do partido sensibiliza seu eleitorado no momento, por isso, o apoio a Lula é maior que ao próprio PT. Moura argumenta que quanto mais longe o Lula conseguir sustentar sua candidatura e quanto mais perto da eleição, maior será sua capacidade de transferir votos para um aliado.

Com informações do Jornal O Globo