Mais calor e menos vigor: estudo mostra que altas temperaturas aumentam o risco de sedentarismo

O aumento das temperaturas provocado pelas mudanças climáticas pode ter um impacto inesperado — e negativo — na saúde global: o sedentarismo. Um estudo internacional publicado na revista The Lancet Global Health alerta que o calor crescente tende a reduzir a prática de atividades físicas, podendo causar até 700 mil mortes extras anualmente até 2050. 

A pesquisa analisou dados de 156 países entre 2000 e 2022 e concluiu que cada mês adicional com temperatura média acima de 27,8°C aumenta a prevalência do sedentarismo em cerca de 1,44 ponto percentual no mundo. Em nações de baixa e média renda — onde a infraestrutura para enfrentar o calor costuma ser mais limitada — o impacto é ainda maior, chegando a 1,85 ponto percentual. 

Coração 

A falta de atividade física já é considerada um dos principais fatores de risco de doenças crônicas e está associada ao risco aumentado de doenças cardiovasculares, diabetes 2 e alguns tipos de câncer, além de responder por cerca de 5% das mortes em adultos, segundo a Organização Mundial da Saúde. No Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) calcula que 47% da população adulta é sedentária, um percentual que sobe para 84% entre os mais jovens. 

PROJEÇÕES

Para estimar os efeitos futuros, os pesquisadores combinaram os dados de atividade física com projeções climáticas usadas pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Mesmo no cenário mais otimista de redução de emissões, a prevalência global de inatividade física deve aumentar cerca de 0,98 ponto percentual até 2050. Em cenários intermediários ou pessimistas, o crescimento pode chegar a 1,22 e 1,75 ponto percentual, respectivamente. 

Embora esses números pareçam pequenos, os impactos acumulados são significativos. Segundo as projeções, o aumento do sedentarismo provocado pelo calor poderá resultar de 470 mil a 700 mil mortes adicionais por ano até 2050.