O futuro da Ponte Metálica, localizada no Poço da Draga, na Praia de Iracema, em Fortaleza, está no centro de um intenso debate entre órgãos públicos, especialistas em patrimônio e a sociedade civil. A demolição da estrutura está na agenda da Prefeitura de Fortaleza.
A derrubada controlada da ponte, como descreve documento da Prefeitura encaminhado ao IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), é um caminho curto que pode ser encontrado para serem evitados possíveis acidentes sob e sobre a estrutura.
Riscos reais de acidentes
Os riscos são reais, contudo destruir a estrutura que é símbolo da história da Capital com o argumento de barrar acidentes não é a melhor solução. O repórter Sátiro Sales relata, no Jornal Alerta, o debate que começa a ser travada sobre o futuro da Ponte Metálica.
A preservação, com ampla reforma, poderia ser a melhor saída para a história continuar sendo contada, com imagens reais e não apenas nas fotos.
Colapso progressivo
Um parecer da Defesa Civil, citado pelo Iphan, aponta que a estrutura da ponte está em colapso progressivo, representando risco direto à vida em caso de acesso indevido. Com base nessa avaliação, a demolição surgiu como uma das alternativas possíveis. No entanto, o documento do órgão não impõe a demolição como única solução.
Entre as possibilidades sugeridas está a “consolidação do espaço como ruína histórica”, preservando os elementos remanescentes da ponte como forma de manter viva a memória do local.
A proposta divide opiniões: enquanto setores defendem a remoção total por motivos de segurança, outros veem na estrutura um valor histórico e afetivo inestimável para a cidade.
Interdição no papel
A Ponte Metálica, embora pouco utilizada hoje, faz parte da paisagem simbólica da orla fortalezense e é lembrada por gerações como ponto de encontro e contemplação do mar.
O impasse mobiliza também movimentos culturais e urbanistas, que cobram diálogo e soluções que conciliem segurança com preservação do patrimônio.
Sem fiscalização
A interdição da Ponte Metálica está no papel, mas, sequer, há fiscalização por parte da Guarda Municipal de Fortaleza (GMF) para orientar banhistas e frequentadores do Poço da Draga a evitarem circular sob e sobre a estrutura.
Quem faz atividades físicas no dia-a-dia na Beira Mar observa o constante movimento de jovens e adultos saltando da ponte para um mergulho nas águas da praia, enfrentando um sério risco de graves acidentes.
Outros optam por curtir a bela imagem do amancher ou entardecer sob a estrutura da ponte, que tem pilares inclinados, ferros expostos e pedaços de concretos soltos.
Alguns são ainda mais corajosos e ficam sobre a ponte para pescar. Tudo diante da indiferença do poder público municipal. Indiferença ao longo dos últimos 40 anos.
