MDB adota neutralidade na disputa presidencial, mas mantém aliança com o PT no Ceará e apoiará reeleição de Elmano

O MDB decidiu, em convenção nacional realizada nesta segunda-feira (27), adotar uma posição de neutralidade na disputa pela Presidência da República, liberando os diretórios estaduais para definir seus apoios de acordo com a realidade política de cada estado. A decisão coloca a legenda na mesma linha adotada por Republicanos, União Brasil e PP, que também optaram por não integrar formalmente nenhuma candidatura ao Palácio do Planalto.

No Ceará, porém, o cenário será diferente. Sob o comando do deputado federal Eunício Oliveira, pré-candidato ao Senado, o MDB manterá a aliança com o PT e apoiará a candidatura à reeleição do governador Elmano de Freitas (PT), integrando a ampla frente política articulada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ministro da Educação, Camilo Santana.

Embora houvesse interesse do PT em atrair o MDB para uma coligação nacional em apoio à candidatura de Lula, dirigentes da legenda afirmam que não houve negociação formal, apenas manifestações de interesse por parte dos petistas.

A neutralidade foi apresentada pela direção nacional como uma forma de preservar a unidade do partido diante das diferenças regionais. Enquanto diretórios do Nordeste e parte do Norte tendem a manter alinhamento com Lula, lideranças do Sul, Sudeste e Centro-Oeste defendem posições distintas, tornando inviável um apoio nacional sem provocar divisões internas.

O presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, afirmou que a liberação dos estados fortalece a legenda.

“A liberação nacional acaba unindo e pacificando, deixando o partido mais forte para que nos estados tenha um resultado bastante positivo. Nossa vontade sempre é ter candidatura própria, mas vivemos um momento de muita radicalização”, declarou durante a convenção.

O entendimento foi respaldado por dirigentes de diferentes regiões do país. O deputado federal Hildo Rocha (MA) avaliou que uma candidatura própria poderia provocar divisões internas, enquanto o vice-governador do Rio Grande do Sul, Gabriel Souza, destacou que cada diretório estadual vive uma realidade política diferente.

Sem candidato à Presidência, o MDB concentrará sua estratégia eleitoral nas disputas estaduais e na ampliação de sua representação no Congresso Nacional. A legenda lançou 10 candidatos a governador, seis a vice-governador e 20 candidatos ao Senado, com a meta de eleger 50 deputados federais e entre 10 e 12 senadores.

No Ceará, a decisão nacional não altera a composição da aliança governista. O MDB permanecerá ao lado do PT na campanha de Elmano de Freitas, tendo Eunício Oliveira como um dos principais articuladores políticos da coligação e pré-candidato ao Senado.