MEC vai medir impacto da lei que restringe uso de celulares nas escolas após um ano de vigência

Passado o primeiro ano de aplicação da lei que limita o uso de celulares no ambiente escolar, o Ministério da Educação (MEC) prepara uma pesquisa nacional, prevista para o primeiro semestre de 2026, para avaliar os efeitos da medida na vida estudantil, social e na saúde dos alunos.

A legislação foi criada para reduzir distrações em sala de aula, fortalecer o engajamento pedagógico e coibir o uso inadequado de dispositivos eletrônicos durante o período escolar. Agora, o MEC quer entender como a norma vem sendo aplicada nos diferentes sistemas de ensino e quais mudanças efetivas ela produziu no cotidiano das escolas.

EXPOSIÇÃO

O ministro da Educação, Camilo Santana, afirma que a restrição tem mostrado resultados positivos. Segundo ele, o Brasil é hoje o segundo país do mundo em tempo médio diante de telas, com nove horas e 13 minutos por dia, o que traz impactos diretos para crianças e adolescentes.

“Isso causa ansiedade, déficit de atenção, transtornos e distúrbios mentais. Reduzir o uso excessivo no ambiente escolar é uma medida de proteção”, destacou.

A preocupação é respaldada por dados do Pisa 2022, que apontaram que 80% dos estudantes brasileiros disseram se distrair e ter dificuldades de concentração nas aulas, especialmente de matemática, por causa do celular.

MUDANÇA DE HÁBITO

Para muitos alunos, a mudança trouxe efeitos inesperadamente positivos. O estudante do ensino médio Nicolas Lima, de 15 anos, conta que, apesar da resistência inicial, passou a perceber ganhos no convívio e no aprendizado.

“Consegui fazer novos amigos e minha concentração melhorou muito. Antes eu usava o celular a cada troca de aula. Agora, no intervalo, a gente conversa mais, joga e interage de verdade”, relata.

ALUNOS MAIS ATENTOS

Especialistas em educação e saúde também observam melhorias. Professores relatam alunos mais atentos, participativos e envolvidos com as atividades, já que o hábito de apenas “fotografar o quadro” deu lugar ao registro escrito e à interação em sala.

A psicóloga e mestre em saúde pública Karen Scavacini ressalta que o celular não precisa ser visto como inimigo da aprendizagem, desde que usado de forma adequada.
“O celular pode ser uma ferramenta poderosa quando usado de maneira educativa, para produção de conteúdo, leitura crítica, educação midiática e combate à desinformação. O desafio é ensinar o uso consciente”, explica.

Para apoiar a implementação da lei, o MEC desenvolveu guias práticos, planos de aula e materiais de conscientização, voltados a escolas, professores, estudantes e famílias. A pesquisa de 2026 deverá indicar se a medida consolidou avanços e onde ainda será preciso ajustar a política.