Mercado vê inflação acima de 5% em dezembro, aponta Boletim Focus

Foto: José Cruz/ Agência Brasil

O efeito dominó que o conflito armado no Oriente Médio provoca nos preços globais afeta direta e indiretamente os preços de quase todas as cadeias globais de suprimentos. A cotação do petróleo — um dos setores mais impactados pela guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, prestes a completar três meses — está diretamente ligada à atividade econômica mundo afora e aqui, no Brasil. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou alta de 1,55% nos meses de março e abril, e a tendência é que também venha mais forte no resultado de maio.

Com os preços em alta, agentes do mercado financeiro aumentam a previsão para a inflação oficial no fim deste ano. De acordo com a edição mais recente do Relatório de Mercado Focus, a mediana das previsões para o IPCA em 2026 passou de 4,92% para 5,04% em apenas uma semana. Além de ser um aumento expressivo, é a 11ª vez consecutiva que essa projeção cresce na comparação com o boletim anterior. Para 2027, a expectativa, porém, é de estabilização, com residual avanço de 4% para 4,01%.

A previsão de uma inflação maior também gera uma preocupação em relação à taxa de juros, que, ao que tudo indica, deve ter uma trajetória de queda mais lenta do que a esperada antes da guerra. No relatório divulgado ontem, o mercado manteve a projeção para a Selic em 13,25% ao ano. Atualmente, a taxa básica da economia está em 14,5% a.a.