Ministro do STF desobriga ex-presidente da Contag a depor sobre escândalo do INSS; semana é decisiva para prorrogação da CPMI

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Em meio à mobilização de deputados e senadores para o STF prorrogar os trabalhos da CPMI do INSS, uma nova decisão do Judiciário impacta o andamento das investigações sobre o que é apontado como o maior escândalo da história da Previdência Social brasileira.

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu desobrigar Aristides Veras dos Santos, ex-presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais, Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag), de comparecer à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito.

Com a decisão, assinada, nesse domingo (15), Santos poderá escolher se participa ou não do depoimento. O depoimento estava marcado para esta segunda-feira (16).

Caso decida comparecer à CPMI, ele terá o direito de permanecer em silêncio e não poderá sofrer qualquer tipo de constrangimento por parte dos parlamentares.

AGENDA FRAGILIZADA

Com a agenda fragilizada após a decisão judicial, a comissão deverá reorganizar o cronograma de depoimentos. Ao mesmo tempo, cresce entre parlamentares a avaliação de que o ritmo das investigações passou a depender diretamente de decisões do STF, já que outras autorizações semelhantes foram concedidas a depoentes ao longo dos trabalhos.

A CPMI foi criada para investigar descontos indevidos aplicados nos benefícios de aposentados e pensionistas do INSS, prática que teria provocado prejuízos bilionários aos segurados.

PRORROGAÇÃO

Deutados e senadores intensificam articulações para evitar o encerramento das atividades da comissão no dia 22 de março, prazo atual de funcionamento do colegiado.

Parlamentares já recorreram ao Supremo Tribunal Federal pedindo a prorrogação da CPMI, diante da resistência do presidente do Senado e do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), em analisar o requerimento de extensão do prazo.

CASO CONTAG

O depoimento de Aristides Veras era considerado um dos mais importantes da investigação, pois ele é alvo de apuração da Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal.

Segundo a PF, existem fortes indícios de que dirigentes da Contag, entre 2019 e 2024, realizaram descontos associativos indevidos de milhares de aposentados e pensionistas do INSS, o que pode ter resultado em enriquecimento ilícito dos envolvidos.

Somente em 2024, os valores descontados teriam alcançado cerca de R$ 435 milhões.

No mesmo despacho, o ministro André Mendonça determinou que a Polícia Federal informe se as investigações contra o ex-presidente da Contag já foram concluídas, atendendo a um pedido da defesa para ter acesso às provas reunidas no inquérito.

Integrantes da CPMI classificaram o depoimento de Santos como “imprescindível” para o avanço das investigações e citaram a necessidade de ouvi-lo como argumento central no pedido de prorrogação dos trabalhos da comissão.

A CPMI tenta identificar o destino de parte do dinheiro desviado de aposentados e pensionistas do INSS por meio de descontos indevidos para entidades associativas e sindicais. A estimativa é que, entre 2019 e 2015, foram desviados R$ 6,2 bilhões, atingindo mais de 5 milhões de aposentados e pensionistas do INSS.