Mistura de dinheiro desviado de aposentados e recursos de emendas parlamentares levam PF a uma nova investigação

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As investigações sobre o escândalo dos descontos ilegais em aposentadorias e pensões do INSS abriram uma nova e preocupante frente de apuração. O repórter Isac Rancine conta, no Jornal Alerta Geral, a descoberta de uma nova trama envolvendo dinheiro público.

Isac Rancine

A Polícia Federal investiga a suspeita de que recursos oriundos de emendas parlamentares tenham sido utilizados para misturar dinheiro público com valores supostamente desviados de segurados da Previdência Social, em um esquema que teria beneficiado a Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares (Conafer).

LIGAÇÕES PERIGOSAS

Em inquérito encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), o delegado da Polícia Federal Cássio Galhardo de Castro Silva aponta indícios de que o Instituto Terra e Trabalho (ITT) teria sido criado para desempenhar papel central na estrutura investigada.
Segundo a PF, a entidade teria servido para captar recursos públicos, direcionar parte desses valores para empresas de fachada e promover a lavagem de dinheiro por meio da chamada “mistura”, mecanismo utilizado para dificultar o rastreamento da origem dos recursos.

DINHEIRO DE EMENDAS PARLAMENTARES

De acordo com a investigação, entre 2017 e 2025 o ITT recebeu mais de R$ 29 milhões em recursos públicos provenientes de emendas parlamentares e convênios com órgãos federais, como o Incra e o Dnit. Desse total, aproximadamente R$ 13 milhões tiveram origem em emendas parlamentares.

A Polícia Federal afirma ainda que R$ 3,18 milhões foram transferidos pelo instituto para uma rede de empresas que, segundo os investigadores, seria controlada por operadores financeiros ligados ao esquema de desvios envolvendo a Conafer.

INDICIAMENTO

A PF indiciou, na primeira etapa dessas investigações, apenas o ex-deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos-MG). Segundo o relatório, ele seria identificado como o “Herói E”, codinome encontrado em planilhas de supostos pagamentos de propina apreendidas no celular do operador financeiro Cícero Marcelino.

O inquérito também cita outros parlamentares que destinaram emendas ao ITT. A Polícia Federal ressalta, porém, que, em vários casos, os nomes aparecem apenas em razão dos registros públicos das emendas, sem atribuir, neste momento, conhecimento ou participação desses parlamentares em eventuais irregularidades.

NOVA LINHA DE INVESTIGAÇÃO

A nova linha de investigação amplia o alcance do escândalo dos descontos ilegais no INSS e busca esclarecer se recursos públicos destinados por meio de emendas parlamentares foram utilizados para mascarar a origem do dinheiro obtido com o suposto esquema de fraudes contra aposentados e pensionistas da Previdência Social.