Morre o cantor D’Angelo, ícone do neo soul americano, aos 51 anos

Morreu, aos 51 anos, o cantor e compositor D’Angelo, um dos pilares do movimento neo soul. A morte foi confirmada pela família nesta terça-feira (14) em comunicado enviado à imprensa americana. O músico lutava contra um câncer no pâncreas.

“Somos eternamente gratos pelo legado de música extraordinariamente comovente que ele deixa para trás. Pedimos que respeitem nossa privacidade durante este momento difícil, mas convidamos todos a se juntarem a nós em luto por sua partida, enquanto também celebramos o presente da música que ele deixou para o mundo”, diz o comunicado.Play Video

Michael Eugene Archer nasceu em South Richmond, Virgínia, e aprendeu a tocar piano aos três anos na igreja em que seu pai, um pastor, pregava. Considerado um dos artistas mais talentosos de sua geração, também se tornou figura reclusa na última década.

D'Angelo formou ao lado de nomes como Erykah Badu e Lauryn Hill um subgênero musical batizado como neo soul. O termo foi criado pelo empresário Kedar Massenburg, então presidente da Motown Records na virada do milênio, e se trata de um R&B mais urbano, que transita entre elementos do hip hop e do rap.

‘Brown sugar' e mais

Lançado em julho de 1995, “Brown sugar”, o primeiro disco de D'Angelo, foi um sucesso arrebatador. Vendeu mais de dois milhões de cópias e fez do seu criador uma estrela em ascensão, bem como um símbolo sexual da sua geração. Com hits como “Lady” e “Cruisin”, além da faixa-título, o álbum permaneceu na Billboard 200 durante 65 semanas.

O segundo disco, “Voodoo”, veio cinco anos depois, em 2000. Também aclamado pela crítica, chegou ao primeiro lugar da Billboard 200 na época. O álbum foi gravado no Electric Lady Studio, em Nova York, com um grupo de músicos que ficou conhecido como Soulquarians e que incluía, além de D'Angelo, o trompetista Roy Hargrove, o tecladista James Poyser e o baixista Pino Palladino.

“Black Messiah”, o terceiro disco de D'Angelo, de 2014, também entrou no Top 10 da parada de álbuns da Billboard 200. “Aos 40 anos de idade, D’Angelo se mantém ambicioso, fiel à estética que elaborou e com uma voz de arrepiar”, escreveu Silvio Essinger em crítica sobre o álbum publicada no site do GLOBO no dia 15 de dezembro daquele ano.

Ao todo, o cantor recebeu 14 indicações ao Grammy ao longo de sua carreira. Conquistou quatro, incluindo melhor álbum de R&B, duas vezes, por “Voodoo” e “Black Messiah”. D'Angelo colaborou com vários artistas ao longo de sua trajetória. Cantou e tocou piano elétrico, por exemplo, na faixa “Nothing Even Matters”, do lendário disco “The Miseducation of Lauryn Hill”, que Lauryn Hill lançou em 1998.