Uma tragédia cercada de dúvidas mobiliza a Polícia Civil de São Paulo. O corpo carbonizado encontrado dentro de um carro em uma estrada rural de São João da Boa Vista, na noite desta quarta-feira (8), foi identificado como sendo do juiz Gustavo de Castro Campos, de 45 anos, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), que atuava na Comarca de Mococa.
O caso foi registrado como morte suspeita e está sendo investigado pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG). Até o momento das informações divulgadas, ninguém havia sido preso.
O veículo, pertencente ao magistrado, foi localizado por volta das 20h15 na Estrada de Terra Euclides Dotta.
Segundo o boletim de ocorrência, uma testemunha contou ter ouvido o som de uma buzina e, logo depois, avistado o automóvel em chamas. Ela correu até uma fábrica próxima e acionou a polícia pelo telefone 190.
Outro homem que passava pelo local em uma retroescavadeira tentou conter o incêndio jogando terra sobre o carro. Ele afirmou que, por causa da grande quantidade de fumaça, não percebeu que havia uma pessoa dentro do veículo.
O Corpo de Bombeiros foi chamado e conseguiu controlar as chamas. Após o fogo ser extinto, o corpo do juiz foi encontrado completamente carbonizado no banco do motorista.
A área foi isolada para o trabalho das polícias Civil e Científica. Durante a perícia, a terra utilizada para apagar o incêndio precisou ser retirada do interior do veículo.
De acordo com o boletim de ocorrência, o corpo apresentava forte odor de gasolina. Os peritos, porém, não identificaram aparentemente ferimentos causados por arma de fogo, arma branca ou outras marcas visíveis de violência.
Outro elemento que chamou a atenção dos investigadores foi a localização de um galão com forte cheiro de gasolina, encontrado na parte dianteira do banco do motorista, próximo aos pedais.
A polícia também informou que, em uma análise inicial, não havia sinais de roubo. A aliança do magistrado permanecia em seu dedo e a carteira foi encontrada no console da porta do veículo.
A identificação de Gustavo de Castro Campos foi feita por meio de uma tatuagem localizada no lado esquerdo do abdômen e pela conferência dos documentos pessoais encontrados no carro.
O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de São João da Boa Vista. Os exames deverão ajudar a esclarecer a causa da morte e se o incêndio ocorreu antes ou depois do óbito.
Enquanto aguardam os resultados da perícia e dos exames necroscópicos, os investigadores procuram reconstruir os últimos passos do magistrado e esclarecer por que o veículo pegou fogo e qual a origem da gasolina encontrada no local.
Por enquanto, a Polícia Civil mantém o caso oficialmente como morte suspeita, sem apontar se houve crime, acidente ou outra circunstância.