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“Antes a abolição da escravatura. Agora a ebulição dos libertos”, diz Margarida Lima, organizadora da II edição da Virada Cultural, citando Gilberto Gil. O evento, criado para fortalecer grupos artísticos do Maciço de Baturité, região conhecida por ser pioneira no fim da escravidão, acontece nos próximos dias 18 e 19, fim de semana que antecede o Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro.
A programação é composta por oficinas como “Criação em Dança a partir da afro-ancestralidade”, “Teatro Brincante de dentro para fora” e “Cinema de Bolso”, durante o dia e espetáculos teatrais como “A moça que virou cobra”, o experimento sensorial “Janelas do Maciço” e apresentações musicais durante a noite. Tudo com foco na valorização da cultura afro-brasileira.
“O evento busca tornar acessível a arte e a cultura popular”, explica Margarida. “Acreditamos que a abolição não erradicou a escravidão e não devolveu a identidade roubada dos negros. Por isto precisamos sempre construir abolições até que um dia nossa região se identifique culturalmente como povos descendentes dos negros e índios que um dia ocuparam este território e deram contribuições gigantescas para a construção étnica do Maciço de Baturité”, completa.
A Virada acontece em diversos espaços em Acarape, desde o Salão Paroquial Juvenal de Carvalho, Paço Municipal, Escola de Ensino Fundamental José Neves de Castro até Praça da Matriz, onde serão as apresentações. Além de receber o apoio cultural de vários segmentos como Prefeitura Municipal de Acarape, Secretaria Municipal de Guaiúba, ONG Amigos da Arte de Guaramiranga e contar com a participação de coletivos de Redenção, Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), entre outros.
Acarape
A região era habitada pelos índios Tapuias e Baturité, sendo conhecida por vila dos índios. O então povoado era conhecido por Calaboca e pertencia ao município outrora chamado de Acarape, atualmente Redenção, que ganhou este nome por alforriar os 116 escravos que trabalhavam na região, em janeiro de 1883, cinco anos antes da Lei Áurea ser assinada.
Com a abolição local, a cidade mudou seu nome e Acarape passou a ser usado para designar o vilarejo vizinho, que se emancipou apenas em abril de 1987. “Acarape é mais do que um farol para todo o país, é o começo de uma pátria livre”, disse Joaquim Nabuco, jornalista abolicionista, em carta à Inglaterra.
Serviço
II Virada Cultural
Local: Praça da Matriz de Acarape
Data: 18 e 19 de novembro
Informações: @viradacultural_