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As juventudes indígenas, negras, de terreiros e quilombolas vêm se destacando na luta pelos seus direitos e reconhecimento étnico. Para falar sobre essas resistências que se constroem no dia a dia, o Curso de Formação em Relações Étnico Raciais promovido pela Secretaria da Proteção Social, Justiça, Cidadania, Mulheres e Direitos Humanos (SPS), por meio da Coordenadoria Especial de Políticas Públicas para Igualdade Racial (Ceppir), convidou a liderança indígena, Ezequiel Tremembé; a militante do movimento quilombola Tainara Eugenio; o pesquisador do Nuafro, André Luís; e o tambozeiro e arte-educador, Wellington Nascimento. O encontro será nesta terça-feira, 17, às 14h, no Youtube da SPS Ceará.

Wellington Nascimento é filho da Mãe Maria, do Centro Espírita São João Batista, em Caucaia, e cresceu vivenciando o racismo religioso ainda muito forte contra as religiões de matriz africana. “Eu fico muito feliz quando eu vejo os jovens como eu, se autoafirmando com orgulho como negros e como de terreiro. Quando eu era mais novo, passei a adolescência precisando ter cuidado com o que poderia ou não dizer, porque nós tínhamos medo da reação das pessoas e todo esse processo violenta demais nossa identidade, tenta nos marginalizar dentro de um contexto social que ainda é tão preconceituoso”, explica Wellington.

Educador social e tamborzeiro, ele fala com orgulho do posicionamento dos jovens que vem mudando esse olhar preconceituoso. “A nossa juventude está se posicionando com muita força, tanto no âmbito politico como no social, e vem pautando a intolerância religiosa em diversos espaços para que a sociedade entenda que a nossa religião deve ser respeitada como todas as outras”, completa Wellington.

Enquanto Wellington buscou na música e na educação uma forma de resistir à intolerância e ao preconceito, Tainara Eugenio, encontrou na militância a força para construir seu próprio caminho sem perder sua identidade. Tainara cresceu no Quilombo do Sitio Veiga, em Quixadá, ela conta que sentiu na pele o preconceito quando precisou mudar da escola do quilombo para uma escola da cidade. “Eu sofri um apagamento muito duro nesse período da minha vida e foi um processo doloroso até me encontrar de novo, e uma das coisas que me ajudou a não esquecer quem eu era foi a poesia e o incentivo constante da minha tia para que eu participasse das atividades do quilombo.

A estudante de pedagogia da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) e militante do movimento quilombola explica que a juventude dos quilombos precisa de incentivo para seguir nessa luta pelas suas existências e identidades. “Não é fácil estar no lugar onde estou, tive que enfrentar muitas barreiras, tanto internas, quanto de fora. Se eu consegui é porque tive muito incentivo e acredito que a nossa juventude precisa disso para seguir se projetando e fortalecendo essa luta diária pelo nosso direito de existir”, frisa Tainara Eugenio.

Ezequiel Tremembé, assim como Wellington e Tainara, enfrenta muitos desafios na luta pelo reconhecimento do seu povo e da sua cultura. “Um dos nossos maiores desafios é o autoreconhecimento, pois por conta do processo de aculturação e das constantes violências para apagar nossa identidade, muitos indígenas acabam não se reconhecendo como indígenas e isso dificulta nossa luta pelo reconhecimento das terras e tantas outras pautas”, frisa o jovem, que mora no município de Itapipoca e se orgulha de fazer parte dessa juventude engajada, que se ancora na luta de seus ancestrais para reivindicar seus direitos e manter sua cultura viva.

Programação

17/11 (Terça feira)
Módulo 5 – Conversando com as juventudes do Ceará
Ezequiel Tremembé, Tainara Eugenio, André Luís, e Wellington Nascimento
Mediação: Ceiça Pitaguary

19/11 (Quinta feira)
Módulo 6 – Uma Década de Estatuto da igualdade Racial: por mais reconhecimento étnico e justiça racial
Palestrante: Zelma Madeira
Mediação: Lourdes Vieira

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