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Foi uma ofensiva em três atos. Começou no domingo (5) com o artigo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, foi seguida pelo manifesto dos economistas tucanos e teve seu clímax nessa quarta-feira (8), com o lançamento da candidatura do senador Tasso Jereissati à presidência do partido. A primeira resposta dos governistas ao início do desembarque do PSDB foi a ameaça de convocação do ministro das Cidades, Bruno Araújo, acusado pelos pemedebistas de privilegiar seu Estado natal (Pernambuco) e o de Geraldo Alckmin (São Paulo), com obras do Minha Casa Minha Vida.

O rompimento também é a senha que aliados de Michel Temer aguardavam para por na rua candidaturas que o presidente possa chamar de suas, como a do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Mas Tasso Jereissati não dá por desfeita a perspectiva de uma aliança eleitoral para 2018. A esse amálgama, que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso um dia chamou de vanguarda do atraso, o senador dá uma definição mais bem comportada – “Numa eleição tudo é possível desde que o protagonismo seja do PSDB”.

A ofensiva tucana parte do pressuposto de que o impulso eleitoral é de rejeição à política tradicional. Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro seriam seus filhos diletos e só haveria espaço para mais um se o terceiro rebento vier a mostrar repúdio a tudo o que está aí.

O PSDB partiu para o tudo ou nada e Tasso parece disposto a nadar contra a corrente para mostrar que é possível romper com aliados históricos bem aquinhoados no poder sem cair na segunda vala. Das arapucas armadas no caminho dos tucanos, a mais ardilosa é a ameaça de concorrência dos partidos que gravitam no entorno do Palácio do Planalto. Nem Maia, nem Meirelles parecem ter futuro eleitoral, mas embaçam o meio de campo da candidatura do governador paulista que custa a chegar a dois dígitos. “Ninguém tem nome forte”, reconhece Tasso, “mas o PSDB pelo menos está fazendo um esforço de se conectar com a população”.

Das medidas que julga capazes de reverter a rejeição ao partido está a redação de um novo código de ética e a contratação de um profissional de compliance. Um executivo do gênero não teria como se impor a parlamentares ou governantes eleitos pelo voto popular, mas Tasso diz que sua função seria a de denunciar à Executiva do partido as irregularidades que vier a constatar.

Para gerir este programa de compliance, o senador do PSDB cearense chamou o deputado paulista Carlos Sampaio que tem no pedido de recontagem de votos das eleições de 2014 o capítulo mais importante de sua biografia. Como a governança tucana quer olhar para frente, não vai estrear pelas estripulias do candidato derrotado, Aécio Neves. No seu artigo, o ex presidente apela publicamente para que o senador mineiro seja poupado.

O sinal é trocado e não há perspectivas que se inverta. Os parlamentares já se assenhoraram de normas eleitorais que sugerem baixa renovação para enfrentar as incertezas de 2018. Mas a campanha de vacinação não para por aí. A liberação dos jogos de azar facilitaria a vida de quem achou pouco um fundo eleitoral de R$ 2 bilhões. Se as malas de dinheiro de Rodrigo Rocha Loures e Geddel Vieira Lima passearam à sombra do Coaf, do BC e da Receita, quem impedirá que cassinos e lavanderias funcionem sob o mesmo teto?

A baixa renovação do próximo Congresso pode vir a ameaçar tempos difíceis para quem quer que assuma o poder em 2019. Para este enfrentamento, o senador tucano preconiza a elaboração de um programa de governo a ser abertamente discutido com o eleitor, sem subterfúgios ou mistificações. A base deste programa é o manifesto elaborado pelos economistas do partido e lançado na segunda feira em apoio à candidatura de Tasso à presidência do PSDB. A ex-diretora do BNDES, Elena Landau, uma das cinco signatárias do documento, diz que o acúmulo de promessas cumpridas e desvirtuadas das últimas disputas obriga o partido a ser o mais transparente possível para não ser acusado de estelionato eleitoral.

É um texto mais liberal que o “Ponte para o futuro” do PMDB. Diz que o governo tem que prover educação e saúde de qualidade mas que, para isso, não precisa ter escolas ou hospitais nem precisa contratar professores ou médicos, e sim adotar indicadores de eficiência na gestão dos recursos dessas áreas. O “programa radical de privatização” anunciado no texto não necessariamente incluiria a Petrobras, explica Tasso. “Mas há 300 ou 400 empresas estatais hoje sem eficiência e que viraram cabides de emprego”.

No seu trecho mais provocativo, o manifesto anuncia como tarefa urgente o fim da captura política das agências reguladoras. Presidente da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, Tasso é quem comanda a sabatina dos diretores das autarquias. Foi sob sua presidência que a CAE assistiu a uma indicada para a superintendência do Cade ser trocada pelo Palácio do Planalto, às vésperas da sabatina, por um indicado do centrão. A manobra é um exemplo da ordem com a qual o senador tucano se diz disposto a romper, a de liberais que só sobrevivem à sombra do poder. Não surpreende o alvoroço em que se encontram o PSDB e seus aliados.

Com informações da A.I