Operação da PF contra Cláudio Castro acelera busca do PL por novo nome ao Senado no Rio

Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

A operação da Polícia Federal que tem o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, como alvo, acelerou as articulações internas do PL em busca de um possível substituto para a disputa ao Senado nas eleições de 2026.

Nos bastidores do partido, aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) avaliam que a situação política de Castro se tornou “insustentável” após a ofensiva deflagrada nesta sexta-feira e admitem que o partido já trabalha, de forma reservada, com cenários sem o ex-governador na chapa da direita no Rio de Janeiro.

A avaliação no entorno de Flávio Bolsonaro é de que a nova operação agravou um quadro político que já vinha se deteriorando desde março, quando Cláudio Castro foi declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.

Na época, Castro chegou a renunciar ao cargo antes da conclusão do julgamento numa tentativa de evitar a cassação formal do mandato, mas acabou condenado à inelegibilidade.

Questionado sobre a operação da Polícia Federal, Flávio Bolsonaro afirmou que ainda não tinha detalhes sobre a investigação.

— Eu ouvi a notícia, mas ainda não entendi direito. Vou saber o que houve — declarou o senador.

RISCO ELEITORAL PREOCUPA O PL

Embora o discurso público do PL continue sendo de apoio a Cláudio Castro, dirigentes da legenda passaram a demonstrar preocupação com o risco de lançar um candidato ao Senado que possa ter eventual candidatura comprometida pela Justiça Eleitoral.

Castro ainda apresentou recursos contra a decisão do TSE, mas, internamente, lideranças do partido avaliam que as chances de reversão são pequenas.

Com a nova investigação da Polícia Federal, aumentou a percepção de desgaste político dentro do partido.

OPERAÇÃO INVESTIGA ESQUEMA NO SETOR DE COMBUSTÍVEIS

A operação autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), investiga suspeitas de fraude no setor de combustíveis envolvendo o grupo Refit, controlado pelo empresário Ricardo Magro.

Além de Cláudio Castro, a investigação também mira empresários, ex-integrantes do governo fluminense e agentes públicos suspeitos de participação em esquema de:

  • ocultação patrimonial;
  • evasão de recursos;
  • e lavagem de dinheiro.

A defesa do ex-governador afirmou ter sido “surpreendida” pela operação e informou que ainda não teve acesso integral ao conteúdo do mandado de busca e apreensão.

Os advogados declararam ainda que Castro está “à disposição da Justiça” e confia na “lisura” de sua atuação à frente do governo do Rio de Janeiro.

SÓSTENES GANHA FORÇA NOS BASTIDORES

Com o agravamento da situação de Cláudio Castro, nomes alternativos passaram a circular com mais intensidade dentro do PL.

Entre os mais citados está o líder do partido na Câmara Federal, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), apontado por integrantes da legenda como nome competitivo por reunir forte influência junto ao eleitorado evangélico e boa interlocução com o núcleo bolsonarista.

Publicamente, porém, Sóstenes segue negando qualquer movimentação para disputar o Senado em 2026.