Operação interestadual cumpre 29 mandados de prisão contra integrantes de facção criminosa do Ceará instalados no Rio de Janeiro

Foto: Divulgação/MPRJ

Durante as primeiras horas de sábado (31), Secretarias de Segurança Pública do estado do Ceará e do Rio de Janeiro iniciaram um operação para combater integrantes de facção criminosa vinda do Ceará e que teria se instalado na favela da Rocinha/RJ.

Segundo o procurador-geral de Justiça do Rio, Antonio José Campos Moreira, o grupo, filiado ao Comando Vermelho, é responsável por mais de mil homicídios no Ceará nos últimos dois anos — muitos deles cometidos com requintes de crueldade.

Entre as mais formas de crueldade utilizada pelo grupo criminoso, o procurador-geral informou que eles usavam motosserras para esquartejar seus inimigos e ainda jogavam futebol com suas cabeças. Eles filmavam tudo, declarou Campos Moreira.

Sobre a operação

A Secretaria de Estado de Polícia Militar empregou 400 policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e de outras unidades para garantir a ação, monitorada por drones e helicópteros que enviavam imagens para o Quartel-General da PM, no Centro do Rio. De lá, além dos promotores de Justiça e chefes das secretarias de segurança dos dois estados, o governador Cláudio Castro monitorava o trabalho policial, até o momento em que os criminosos fugiram para a mata, onde houve troca de tiros.

A ação foi deflagrada pela Coordenadoria de Segurança e Inteligência do Ministério Público do Rio (CSI/MPRJ), que mobilizou cerca de 80 agentes das tropas especializadas, com objetivo de cumprir 29 mandados de prisão e 14 de busca e apreensão.

” Os criminosos do Ceará são muito sanguinários. Os assassinatos são cometidos com requintes de crueldade. Essa prática está se alastrando para outros estados do Nordeste. As imagens, porque eles fazem questão de mostrar em redes sociais, são muito impactantes”, disse o procurador-geral.

Durante a operação, foram apreendidos quatro fuzis, duas pistolas, um revólver, um fuzil de airsoft, munição e drogas ainda em fase de contabilização, segundo um boletim oficial divulgado no início da tarde. Um homem com mandado de prisão em aberto foi preso.

Alvo de Santa Quitéria

O alvo da operação, de acordo com a Polícia do Rio Janeiro, era o traficante cearense Anastácio Paiva Pereira, conhecido como Doze ou Paizão. À distância e no conforto da mansão, o grupo chegou a comandar mais de mil homicídios nos últimos dois anos no Ceará.

Paizão tem cinco mandados de prisão em aberto por crimes de homicídio, organização criminosa e tráfico de drogas.