Oposição descarta acordo e aposta em CPMI para aprofundar investigações sobre escândalo do Banco Master

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Quem aposta em um desfecho político por meio de acordo ou arrefecimento das apurações pode se frustrar. Do lado da oposição, a mobilização é no sentido de aprofundar as investigações sobre o escândalo financeiro envolvendo o Banco Master. Parlamentares contrários ao governo Lula protocolaram, na tarde desta terça-feira, o primeiro pedido de instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para apurar o caso no Congresso Nacional.

O requerimento é de autoria do deputado bolsonarista Carlos Jordy (PL-RJ) e reúne 280 assinaturas, sendo 42 senadores e 238 deputados. Para que uma CPMI seja criada, é necessário o apoio mínimo de um terço dos membros de cada Casa Legislativa, o equivalente a 171 deputados e 27 senadores. Quando instalada, a comissão deverá ser composta por igual número de parlamentares da Câmara e do Senado.

O Banco Master está no centro das investigações da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que apura suspeitas de fraudes bilionárias em operações envolvendo a instituição comandada por Daniel Vorcaro e o Banco de Brasília (BRB), controlado pelo Governo do Distrito Federal. Em novembro, o Master foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central, deixando ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) a responsabilidade de ressarcir clientes em cerca de R$ 40 bilhões.

Além do impacto financeiro, o caso ganhou dimensão política devido à ampla rede de relações de Vorcaro em Brasília, com reflexos que alcançam inclusive setores do Judiciário, ampliando os desdobramentos institucionais da crise.

Alcolumbre é visto como obstáculo

Carlos Jordy afirmou que a oposição ainda não tratou do tema com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), mas pretende fazê-lo após o Carnaval. Embora sustente que a criação de CPMIs é automática, conforme o regimento interno do Congresso, o deputado avalia que pode haver resistência por parte do senador.