A oposição ao governo Lula decidiu fazer do veto integral ao projeto de lei da Dosimetria o principal instrumento de pressão política na retomada dos trabalhos do Congresso Nacional. Nos bastidores da Câmara e do Senado, o clima é de mobilização permanente, com líderes de partidos como PL, Republicanos e setores do Centrão tratando a derrubada do veto como uma “missão de honra” para marcar o início do ano legislativo e impor uma derrota simbólica ao Palácio do Planalto.
De acordo com parlamentares envolvidos nas articulações, a reação foi planejada ainda antes do recesso. Desde dezembro, quando o governo sinalizou que vetaria o texto, dirigentes da oposição passaram a mapear votos e alinhar discursos. “A gente já sabia que Lula ia vetar. Isso foi conversado dentro das bancadas ainda antes do recesso. Agora a ordem é pressionar para votar o quanto antes e derrubar tudo”, afirmou um deputado do PL que participa diretamente das negociações.
Nos bastidores, a leitura é de que o governo elevou deliberadamente o nível de tensão ao barrar um projeto que teve apoio expressivo no Parlamento. Para líderes oposicionistas, o Planalto ignorou acordos políticos e desconsiderou a correlação de forças no Legislativo. “O recado foi claro: o governo não quer dividir poder, quer impor sua narrativa. Isso vai custar caro”, afirmou uma liderança.
A estratégia inclui uma ofensiva sobre parlamentares do Centrão, especialmente aqueles que votaram a favor do projeto. Dirigentes do PL intensificaram conversas com deputados do PSD, União Brasil e PP para garantir que o placar da votação original se repita na análise do veto. O argumento central é que a derrubada seria uma afirmação da autonomia do Congresso frente ao Executivo.
Outro pilar da ofensiva será a comunicação. A oposição planeja usar redes sociais, discursos em plenário e entrevistas para sustentar a narrativa de que o veto representa perseguição política e impede a pacificação do país. A ideia é manter o tema em evidência ao longo das próximas semanas, aumentando a pressão pública sobre o governo.
Nesse cenário, o deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), relator do projeto, assumiu o papel de principal porta-voz da insatisfação parlamentar. Em conversas reservadas, ele tem dito que o veto foi interpretado como um gesto de desprezo ao Legislativo. Em público, classificou a decisão como uma reabertura de feridas institucionais e defendeu que o Congresso reafirme sua autoridade ao derrubar o veto presidencial.
