Para além da insegurança, crime organizado também interfere nas atividades do varejo brasileiro, mostra estudo

De acordo com o relatório “O Custo Oculto da Bala”, divulgado pelo IBEVAR-FIA Business School, o crime organizado no Brasil ultrapassou o medo da população e começou a interferir no varejo brasileiro.

Segundo o estudo, 58% da população, diz que a criminalidade já é o principal problema do país. Um terço dos empresários do varejo (33%) relata queda direta e imediata no número de clientes físicos; 13% dos negócios registraram migração forçada de vendas presenciais para o delivery, por medo do cliente de sair de casa; e 25% precisaram restringir o horário de funcionamento só para evitar a exposição noturna. 

REPERCUSSÃO IMPACTA NO CRIME

Conforme apresentado na pesquisa,  cada aumento relevante na cobertura jornalística sobre roubos e furtos provoca retração de vendas estatisticamente significativa já no mês em que a notícia é publicada, efeito que se mantém no mês seguinte. “O cliente cancela o plano de consumo no dia em que vê a manchete”, resume o relatório.

MUDANÇAS NO VAREJO

Diante desse cenário, lojistas brasileiros estão redesenhando a operação do negócio em torno do medo: alterando layout, deslocando o fluxo de caixa para o delivery e cortando horários — uma resposta defensiva que, segundo os pesquisadores, tem custo de oportunidade tão real quanto qualquer imposto formal. 

O relatório também situa o caso brasileiro dentro da literatura internacional. Nos Estados Unidos, pesquisas em Urban Studies associam surtos de homicídio ao fechamento de negócios locais e ao êxodo de lojas e serviços de bairros afetados. No México, estudos sobre a guerra às drogas relacionam a violência à redução da oferta de mão de obra local e a quedas dramáticas no consumo de energia — termômetro da retração produtiva. Na Colômbia, a extorsão de organizações criminosas impõe o que pesquisadores chamam de “custo duplo”: gasto com segurança privada somado à limitação forçada de clientes.