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O governador Geraldo Alckmin já admite perder o comando de São Paulo depois de 24 anos de domínio do PSDB, partido do qual é presidente nacional, para fortalecer sua candidatura ao Planalto. Buscando apoio para sua camapanha, Alckmin admite que uma disputa entre aliados pelo governo paulista pode prejudicar o seu projeto presidencial e da sua legenda, por isso, tem buscado se articular para evitá-la. Com isso, Alckmistas articulam a construção de um palanque único no Estado, no qual os tucanos abririam mão da cabeça de chapa pela primeira vez na história da sigla para apoiar a reeleição do atual vice-governador Márcio França (PSB).

A tese defendida pelos aliados mais próximos do governador é a de que o “projeto nacional é prioridade” para a sigla eleger Alckmin presidente e retomar o governo federal depois de 16 anos, mesmo que, para isso, seja necessário abrir mão do controle do Estado mais rico da Federação. Márcio França, que vai assumir o governo paulista em abril, quando Alckmin terá de renunciar para concorrer à Presidência da República, já lançou sua pré-candidatura e tem anunciado apoio de outras legendas. No PSDB, quatro nomes ainda postulam a candidatura, entre eles o prefeito da capital, João Doria.

A possibilidade de apoio ao nome de França passou a ser admitida publicamente pelo próprio governador e presidente nacional do PSDB depois que o senador José Serra anunciou que não vai disputar a eleição. Para Alckmin, “não é obrigatório” o candidato ao governo ser do seu partido. Na prática, contudo, os Alckmistas já atuam para que a ampla aliança que compõe o atual governo paulista, formada por oito partidos, tenha apenas um candidato em outubro, conforme antecipou a Coluna do Jornal O Estado de São Paulo. Um dos objetivos é evitar que a divisão no campo governista com duas candidaturas leve à eleição estadual para o segundo turno, o que não acontece desde 2002.

Alianças

Ao abrir mão do Estado mais rico da federação para o PSB, Alckmin também conseguiria atrair para a sua coligação um partido com forte atuação no Nordeste, onde o governador paulista se mostra mais frágil eleitoralmente, e outras legendas que já fecharam apoio a França no Estado, como o PR. O objetivo do grupo de Alckmin é consolidar o nome do governador como o único candidato de centro na disputa presidencial.

Com o PSB amarrado em São Paulo, Alckmin ficaria livre para oferecer a vice na chapa ao Palácio do Planalto ao DEM, o que tiraria do páreo uma eventual candidatura do presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (RJ). A ideia, contudo, ainda encontra resistências no PSDB.

Aliados pedem que tucano una o centro

Geraldo Alckmin (PSDB) ainda foi cobrado por aliados a pacificar a disputa eleitoral no Estado o mais rápido possível e a se mostrar capaz de unificar os partidos de centro para se viabilizar como candidato à Presidência. As cobranças foram feitas durante jantar na ala residencial do Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, na segunda-feira, 22, que reuniu políticos do DEM, PTB, PPS, PSD, PMDB e PSDB. Segundo relatos, o governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo (PSD) foi um dos que fizeram discurso mais enfático defendendo a necessidade de Alckmin se mostrar capaz de unificar o centro.

Com informações do Jornal O Estado de São Paulo