O partido Missão afirmou, em nota oficial, que foi vítima de uma tentativa de filiação fraudulenta do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e informou que comunicou o gabinete do parlamentar sobre a irregularidade ainda no dia 2 de agosto. Segundo a legenda, os e-mails enviados foram abertos no dia seguinte, mas não receberam resposta.
O caso ganhou repercussão nacional após impedir o registro da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República na Justiça Eleitoral, já que o sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) passou a indicar o senador como filiado ao Missão, partido que tem Renan Santos como candidato ao Palácio do Planalto.
De acordo com a legenda, assim que identificou a filiação considerada irregular, foi solicitado o cancelamento do registro, mas o pedido acabou rejeitado pelo TSE.
Em nota, o partido informou que já adotou medidas junto à Polícia Federal e ao Tribunal Superior Eleitoral para apurar o caso e responsabilizar os envolvidos.
“A Missão já está adotando todas as providências cabíveis junto à Polícia Federal e ao TSE, a fim de que os responsáveis pelo crime e pela fraude sejam identificados e exemplarmente punidos”, informou a legenda.
O partido afirmou ainda que disponibilizará às autoridades e à imprensa um relatório contendo registros de acesso, e-mails e endereços de IP relacionados ao episódio.
Partido faz críticas a Flávio Bolsonaro
Além de negar qualquer interesse na filiação do senador, o Missão fez críticas diretas ao candidato do PL.
“Não é do interesse do partido acolher em seus quadros um parlamentar que, para além do desalinhamento ideológico, figura em acusações e suspeitas de envolvimento em esquemas de corrupção”, afirma a nota.
Kim Kataguiri fala em hackeamento
O deputado federal Kim Kataguiri, filiado ao Missão, também comentou o episódio e afirmou que o partido foi alvo de um ataque ao sistema.
“Repudiamos o hackeamento e vamos acionar as autoridades para apurar o caso e punir os responsáveis. Eu, como presidente do Conselho de Ética do partido, jamais aceitaria a filiação de um corrupto inepto ligado ao crime organizado”, declarou.
Caso segue sob análise do TSE
O episódio continua sendo analisado pelo Tribunal Superior Eleitoral, que investiga como a filiação foi registrada no sistema da Justiça Eleitoral. Enquanto a situação não for regularizada, a candidatura de Flávio Bolsonaro permanece pendente de registro.
O Partido Missão reiterou que repudia filiações fraudulentas e afirmou que colaborará integralmente com as investigações para esclarecer os fatos e identificar os responsáveis pela inclusão indevida do nome do senador em seus registros partidários.