PEC da Segurança é aposta de Lula e Camilo Santana para fortalecer combate ao crime; Senado tenta votar proposta nesta terça-feira

A votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, prevista para esta terça-feira (3), é uma das principais apostas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do senador Camilo Santana (PT-CE) para ampliar e tornar mais efetivas as ações de enfrentamento à criminalidade no Brasil. A proposta busca reorganizar o sistema nacional de segurança pública, fortalecer a atuação das forças policiais e ampliar a integração entre União, estados, Distrito Federal e municípios no combate ao crime organizado.

Entre as principais mudanças previstas estão a inclusão do Sistema Único de Segurança Pública (Susp) na Constituição Federal, a ampliação das atribuições da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e o fortalecimento do financiamento das políticas de segurança. O texto também estabelece medidas mais rigorosas contra integrantes de facções criminosas, milícias e organizações paramilitares, com restrições à progressão de regime e previsão de cumprimento de penas em presídios de segurança máxima para lideranças dessas organizações.

A votação, porém, enfrenta divergências entre governistas e oposição, principalmente em relação à redução da maioridade penal. A análise da proposta foi adiada em outubro após um impasse envolvendo emendas apresentadas ao texto. O senador Rogério Marinho (PL-RN) defende a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos como regra geral e para 14 anos em casos de crimes graves. Já Camilo Santana apresentou uma alternativa que prevê a responsabilização penal a partir dos 16 anos exclusivamente para crimes hediondos.

A divergência preocupa o Governo Lula, que trabalha para construir um entendimento capaz de garantir a aprovação da PEC sem modificações que obriguem o retorno da matéria à Câmara dos Deputados. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, defende que a discussão seja conduzida sem atropelos e que haja entendimento entre os parlamentares antes da votação.

“Agora nós vamos aguardar os entendimentos dos senadores e das senadoras sobre o tema, sobre o texto, sobre a emenda, porque agora eu estou sendo o culpado de emendas que foram apresentadas, de que vai alterar o texto, voltar para a Câmara e que não pode ser uma discussão açodada”, afirmou Alcolumbre.

Para ser aprovada, a PEC precisa receber pelo menos 49 votos favoráveis em cada um dos dois turnos de votação no Senado. Um calendário especial aprovado pelo plenário permite acelerar a tramitação da matéria, dispensando etapas regimentais de discussão. A expectativa é de que os senadores tentem concluir a análise nesta terça-feira, mas o desfecho dependerá de um acordo sobre as emendas apresentadas.

A aprovação da PEC também está diretamente relacionada aos planos do presidente Lula para fortalecer a presença do Governo Federal na área da segurança pública. O presidente anunciou a intenção de criar um Ministério da Segurança Pública após a promulgação da emenda constitucional, com a missão de ampliar a coordenação nacional das políticas de prevenção e repressão à criminalidade.

Para Lula e Camilo Santana, a aprovação da proposta representa uma oportunidade de avançar na construção de uma política nacional de segurança mais integrada, com maior participação da União, reforço no financiamento e instrumentos mais eficazes para enfrentar as organizações criminosas que atuam em diferentes regiões do País.

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O QUE PODE MUDAR COM A PEC DA SEGURANÇA

  1. Integração das forças de segurança

Ampliação da cooperação entre Governo Federal, estados, Distrito Federal e municípios no planejamento e na execução de políticas de combate à criminalidade.

  1. Sistema Único de Segurança Pública na Constituição

Inclusão do Susp no texto constitucional, fortalecendo a estrutura nacional de articulação entre os órgãos de segurança.

  1. Ampliação das atribuições da PRF

Previsão de novas competências para a Polícia Rodoviária Federal, ampliando sua participação nas ações de segurança pública.

  1. Mais recursos para a segurança

Fortalecimento dos mecanismos de financiamento das políticas de segurança, com o objetivo de ampliar investimentos e garantir maior continuidade às ações.

  1. Regras mais duras contra facções e milícias

Previsão de medidas mais rigorosas para integrantes de organizações criminosas, milícias e grupos paramilitares, incluindo restrições à progressão de regime.

  1. Presídios de segurança máxima

Previsão de cumprimento de penas em unidades de segurança máxima para lideranças de organizações criminosas.

  1. Redução da maioridade penal em debate

Tema ainda sem consenso. Rogério Marinho defende a redução para 16 anos como regra geral e 14 anos em crimes graves. Camilo Santana propõe a redução para 16 anos somente em crimes hediondos. As mudanças dependem de aprovação.

  1. Novo Ministério da Segurança Pública

A criação de uma pasta exclusiva é uma intenção anunciada pelo presidente Lula, condicionada à promulgação da PEC.