Cordões de ouro, carros de luxo e festas regadas a ostentação costumam alimentar o imaginário popular sobre pessoas ligadas ao tráfico de drogas. A percepção de que essa atividade criminosa gera mudança de vida, porém, não corresponde à realidade para a maioria dos entrevistados em uma pesquisa inédita feita pelo Instituto Data Favela. Segundo o levantamento, seis em cada dez (63%) indivíduos envolvidos com a criminalidade em favelas dizem ganhar, no máximo, R$ 3.040 por mês, o insuficiente para manter suas necessidades básicas.
Considerando somente esse grupo, quase a metade (44,4%) recebe somente até R$ 1.520. A renda limitada ajuda a explicar outro ponto relevante identificado pela pesquisa: 36% dos entrevistados precisam buscar outra atividade.
Entre as ocupações extras mais relatadas estão construção civil, serviços gerais, entregas, pequenos reparos, comércio informal e transporte alternativo. Ou seja, a atividade criminosa não é suficiente para cobrir necessidades básicas.
Esses dados fazem parte do “Raio-X da Vida Real”, do Data Favela, maior levantamento já realizado com pessoas atualmente em atividade no tráfico. Mais de quatro mil respostas foram coletadas em favelas de 23 estados entre 15 de agosto e 20 de setembro. A pesquisa conta com 84 questões sobre renda, família, escolaridade, saúde mental, trabalho, sonhos e visão de mundo.
Informações – Extra
