PF aponta uso de dinheiro desviado de aposentados para cirurgia plástica e despesas de luxo de investigados

O relatório final da Polícia Federal sobre o núcleo da Conafer na Operação Sem Desconto revela que parte do dinheiro descontado ilegalmente de aposentados e pensionistas do INSS foi utilizada para custear despesas pessoais e de alto padrão dos integrantes da organização investigada. Entre os gastos apontados pela PF está o pagamento de uma cirurgia plástica da esposa do presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes.

Segundo a investigação, o procedimento realizado por Bruna Braz de Souza Santos foi pago pela empresa Santos Consultoria, controlada por Cícero Marcelino de Souza Santos, apontado como um dos operadores financeiros do esquema. A conclusão é baseada em mensagens apreendidas pela Polícia Federal, nas quais aparecem a negociação da cirurgia e o comprovante de pagamento.

Para os investigadores, o caso demonstra como os recursos retirados dos benefícios previdenciários eram desviados para atender despesas particulares da família do presidente da Conafer.

De acordo com o relatório, o dinheiro arrecadado com os descontos associativos irregulares era distribuído entre empresas consideradas de fachada e, posteriormente, utilizado para pagar boletos escolares, passagens aéreas, salários e outras despesas pessoais, além da cirurgia plástica.

A Polícia Federal afirma que empresas como Santos Consultoria, To Hire Cars, Solution, Impacto e MN Apoio Administrativo funcionavam como uma espécie de “conta corrente unificada” da família de Carlos Roberto Ferreira Lopes.

A investigação também identificou, por meio da quebra de sigilo bancário, que Bruna Braz de Souza Santos recebeu diretamente mais de R$ 1,75 milhão proveniente de contas controladas pelos operadores financeiros da organização.

Para a PF, o conjunto de provas indica a prática de lavagem de dinheiro, sustentando que valores descontados ilegalmente de aposentados e pensionistas foram empregados para financiar despesas privadas e um padrão de vida elevado dos investigados.

Carlos Roberto Ferreira Lopes e Bruna Braz estão entre os 48 indiciados no primeiro relatório conclusivo da Operação Sem Desconto, encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Caberá agora à Procuradoria-Geral da República (PGR) decidir se apresenta denúncia criminal contra os investigados.

Conafer contesta conclusões da PF

Em nota, a Conafer informou que respeita o trabalho da Polícia Federal, do Ministério Público e do Judiciário, mas ressaltou que o indiciamento representa apenas uma etapa da investigação.

A entidade afirmou que sua defesa analisará integralmente o relatório antes de apresentar manifestações jurídicas e técnicas às autoridades competentes.

A Conafer também declarou considerar “inadequada qualquer tentativa de transformar uma etapa investigativa em condenação antecipada”, sustentando que eventuais acusações devem ser examinadas individualmente, com base em provas e respeitando o devido processo legal.