A Polícia Federal concluiu as investigações que apuram um suposto esquema de desvio de emendas parlamentares envolvendo o deputado federal cearense Junior Mano (PSB) e o ex-prefeito de Choró, Bebeto Queiroz (PSB), atualmente considerado foragido. O relatório final foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde o caso é relatado pelo ministro Gilmar Mendes.
De acordo com o documento, entregue à Corte no fim de janeiro, os investigadores apontam que o parlamentar e o ex-gestor municipal teriam papel central em uma estrutura que, segundo a apuração, utilizava recursos públicos para financiar campanhas eleitorais, ampliar influência política em municípios e gerar vantagens financeiras.
Segundo a Polícia Federal, parte dos recursos teria origem em negociações envolvendo emendas parlamentares federais. Nesse modelo, valores destinados a municípios retornariam ao grupo por meio de pagamentos irregulares que, conforme a investigação, variariam entre 12% e 15% dos recursos liberados.
Outro mecanismo citado no relatório envolve irregularidades em processos licitatórios realizados em prefeituras. Empresas ligadas ao grupo investigado teriam participado de disputas simuladas para garantir contratos públicos. Entre as companhias mencionadas estão a MK Empreendimentos, AM Transportes e Cariri Edificações.
Após a contratação, ainda segundo a PF, haveria fraudes na execução das obras ou serviços, o que permitiria o desvio de parte do dinheiro público. Para ocultar a movimentação dos valores, a investigação aponta o uso de empresas de fachada e pessoas interpostas, estratégia utilizada para dificultar o rastreamento financeiro.
Os recursos desviados, de acordo com o relatório policial, teriam sido utilizados também para fortalecer bases eleitorais. A apuração cita a suposta compra de votos, com pagamentos em dinheiro e oferta de materiais de construção em troca de apoio político durante campanhas.
A investigação indica ainda que havia um acompanhamento detalhado da atuação política em diversos municípios cearenses. Planilhas teriam sido utilizadas para monitorar a influência do grupo em pelo menos 71 cidades.
Em algumas localidades, como Choró, o relatório aponta que integrantes da administração municipal estariam subordinados às decisões do grupo investigado. Vale destacar que Bebeto Queiroz, ex-prefeito da cidade, segue foragido.
Segundo a Polícia Federal, o objetivo da suposta estrutura seria consolidar apoio político e ampliar o desempenho eleitoral do deputado em disputas estaduais e federais.
