Um novo incêndio na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) passou a ser investigado pela Polícia Federal, que vai apurar as causas do fogo e verificar se houve ação criminosa. As chamas destruíram equipamentos avaliados em cerca de R$ 100 milhões e provocaram a perda de aproximadamente 20 anos de pesquisas científicas, segundo o reitor Alfredo Gomes.
O incêndio atingiu o antigo prédio da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (Dine), na Cidade Universitária, Zona Oeste do Recife. O local abrigava laboratórios de fármacos, informática e genética, além do Núcleo de Pesquisa em Inovação Terapêutica.
“Tínhamos muitos equipamentos dentro do prédio, sobretudo no primeiro andar, e absolutamente tudo foi destruído pelo incêndio. Cremos que nós tínhamos ali aproximadamente 100 tipos diferentes de pesquisas, assim como amostras que se acumulam ao longo de 20 anos”, afirmou o reitor à TV Globo.
Segundo Alfredo Gomes, o prejuízo vai além dos equipamentos. No prédio estavam trabalhos desenvolvidos por estudantes de iniciação científica, mestrandos, doutorandos e professores.
“É uma perda irreparável para a Universidade Federal de Pernambuco e para as pesquisas ali desenvolvidas”, acrescentou.
Apesar da dimensão do incêndio, não houve feridos. O Corpo de Bombeiros enviou cinco viaturas ao local e concluiu o combate às chamas por volta das 5h desta quinta-feira (8).
De acordo com o major Melquezedek Calado, o fogo atingiu todo o pavimento superior e uma sala do andar inferior. Parte dos laboratórios conseguiu ser preservada após os bombeiros confinarem as chamas dentro da estrutura.
A UFPE informou que a presença de diferentes produtos armazenados nos laboratórios contribuiu para a rápida propagação do fogo. A origem do incêndio, entretanto, ainda não foi determinada.
Diante das circunstâncias, a universidade acionou a Polícia Federal. Em nota, a PF informou que enviou peritos ao campus e que será instaurado inquérito para apurar todas as circunstâncias e as causas prováveis do incêndio.
A universidade também entrou em contato com os ministérios da Educação e da Ciência, Tecnologia e Inovação em busca de apoio para enfrentar os danos.
O ministro da Educação, Leonardo Barchini, lamentou o episódio e afirmou que o MEC acompanha as investigações e está à disposição da instituição.
O incêndio ocorreu nas proximidades da Casa do Estudante da UFPE. Alunos relataram momentos de tensão por causa da grande quantidade de fumaça e do forte cheiro provocado pela queima de produtos químicos.
A estudante de Nutrição Letícia Porfísio relatou que, segundo testemunhas, parte do material perdido estaria relacionada a pesquisas sobre Covid-19, autismo, câncer e Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).