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Projeções de analistas apontam que o cenário econômico brasileiro deve ficar desanimador por mais algum tempo. As análises dos pesquisadores mostram que as projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre deste ano continua morno, sem perspectiva de grande impulsos.

As projeções apontam que a atividade econômica pode ficar estável ou ter ganhos de até 0,9% no período, na comparação com o segundo trimestre do ano. Segundo especialistas, a depender do resultado do pleito, em 27 de outubro, o desempenho pode ficar até abaixo de 1% no acumulado de 2018.

Se o cenário pessimista se desenhar, o ano, que prometia uma expansão de 3% — segundo projeções iniciais de economistas — apresentará desaceleração em relação a 2017. De acordo com o economista-chefe e sócio do Modalmais, Álvaro Bandeira, em véspera das eleições, o país todo está “parado”. “Para investimento, para produção, para vendas… Todo mundo está em compasso de espera para saber o que vai acontecer”, diz. O especialista fez uma retrospectiva econômica do ano e constata que a atividade pode não ter força suficiente para superar o 1% de crescimento do PIB em 2017.

“No primeiro trimestre, tivemos frustração das expectativas e o crescimento foi fraco. No segundo, a greve dos caminhoneiros atrapalhou a retomada. Agora, temos um período pré-eleitoral, que deixa todo mundo parado. A depender do resultado das eleições, podemos ter um ano pior ainda”, alerta Bandeira.

O pessimismo em relação à economia tem explicação. Os índices setoriais não apresentam números bons. Em julho, mês mais recente de análise do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), houve recuo da produção industrial (0,2%), das vendas do comércio (0,5%) e dos serviços (2,2%).

Sem recuperação

A avaliação geral dos analistas é a de que o terceiro trimestre do ano só terá um desempenho positivo por conta da base de comparação fraca. O segundo trimestre foi fortemente impactado pela greve dos caminhoneiros, em maio, que resultou num PIB de apenas 0,2% no período. “Com a comparação do trimestre, podemos melhorar um pouquinho, mas a expectativa para o ano continua muito fraca. A OCDE [Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico] revisou para baixo o crescimento econômico do Brasil para esse ano, indo para 1,2%, o mesmo que nós prevemos. É um resultado muito ruim, porque tivemos dois anos de recessão forte”, explica Bandeira.

Os dados setoriais mostram, inclusive, que há setores que não saíram da recessão. O economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Fábio Bentes, ressalta que o volume de serviços fechará o ano em queda entre 0,5% e 1%. O setor é dependente da demanda pelo consumo, que não ocorre. Segundo o analista, o restante da economia terá um desempenho melhor, mas ainda aquém do esperado. Agricultura, construção civil e varejo devem demonstrar resultados tímidos, sem empolgar. “O único setor que pode surpreender é a indústria, com a maior rentabilidade das exportações, influenciada pela alta do dólar”, conta.

Desconfiança

O baixo nível de confiança e perspectivas é o que está ditando a recuperação da economia. Com 12,9 milhões de desempregados e 4,8 milhões de desalentados — aquelas pessoas que desistiram de procurar emprego, porque acham que não conseguiriam espaço —, o consumo das famílias é baixo.

A taxa de investimento está em 16% do PIB, uma das mais baixas do mundo, e as intenções de aposta na economia estão diminuindo. Os empresários esperam os resultados das eleições e a posse do próximo presidente da República. Os analistas ressaltam que a política econômica dos próximos anos será fundamental para o setor produtivo avaliar se o país terá, ou não, credibilidade para reorganizar a economia.

O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Ernesto Lozardo, afirma que, por enquanto, os debates presidenciais e as discussões econômicas não indicam para qual cenário o país conviverá a partir de 1º de janeiro do próximo ano. “Não é claro. Não se sabe quais são as reformas que serão adotadas. Isso é altamente prejudicial para a economia”, diz. A indefinição sobre o futuro faz com que os empresários adiem os investimentos e os consumidores fiquem descrentes com a economia.

Para o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Ernesto Lozardo, enquanto não houver uma reforma da Previdência Social para reequilibrar as contas públicas, não será possível retomar a credibilidade do país para angariar investimentos. “Não existe nenhum fundamento que se sustente sem a reforma da Previdência. Há certos problemas na economia que precisam ser enfrentados e ainda não há clareza de como isso será feito pelo próximo governo”, enfatiza.

Segundo os analistas, há clara deterioração das condições econômicas, que podem ser agravadas no 4º trimestre do ano. Se o próximo presidente eleito demonstrar indisposição com o ajuste fiscal, a tendência é que o PIB do ano seja ainda mais fraco. “Estamos prevendo crescimento do PIB de 1,3% no ano”, afirma Bentes, economista-chefe da CNC. “Essa projeção está com viés de baixa. E pode piorar se o resultado das eleições for preocupante para a economia”, completa.

Estímulos insuficientes

Mesmo com estímulos, a economia não engatou da forma esperada. A taxa Selic está no menor patamar da história, em 6,5% ao ano. O movimento permitiu a queda geral dos juros dos empréstimos, aumentando o acesso ao crédito. Mesmo com a forte alta do dólar, os preços estão controlados, permitindo que o poder de compra dos trabalhadores não se deteriore. A inflação oficial no acumulado de 12 meses está abaixo do centro da meta. As projeções de analistas apontam que não deve superar 4,20% em 2018, segundo o Relatório Focus, do Banco Central (BC).

Ainda assim, o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano deve frustrar os brasileiros. A equipe econômica do governo não esconde a expectativa ruim. O secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, admitiu a possibilidade de diminuição da projeção oficial. “Já estamos caminhando para o fim do ano. Podemos fazer uma revisão na projeção do PIB ainda, mas a nossa estimativa é próxima do mercado”, afirma. A perspectiva do mercado é de que o crescimento seja de 1,36%.

Cenário

O economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Fábio Bentes, destaca que o cenário está consolidado até as eleições. “Sabemos que a economia vai crescer, mas pouco. Não vemos alguma variável que mude essa tendência de expansão fraca”, diz. O especialista também comenta o último balanço do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que revelou a criação de 110 mil empregos formais em agosto.

“Não é esse resultado que animou. É bom lembrar que tivemos uma série de frustrações nos últimos dados mensais e, para melhorar o desempenho do PIB, será necessário que o emprego ganhe mais força. As chances de isso acontecer não é muito grande, porque o Caged não inverteu a tendência. Os investimentos estão fracos. O Brasil está barato para investir, mas a taxa de retorno para o empresário não está clara, isso prorroga as aplicações”, explicou Bentes.

O economista-chefe da Modalmais, Álvaro Bandeira, diz que a taxa de investimento deveria estar em pelo menos 20% para dar mais otimismo. “Só que isso não vai ocorrer. Vai continuar baixa e tem outro detalhe: também ficará nesses níveis entrando em 2019”, conta. “Até sabermos o que será proposto e o que será viável de implementar, a dúvida vai sobressair e a credibilidade é fundamental para o crescimento mais forte. Por enquanto, os índices de confiança não apontam para um cenário estável”, completa.

Com informações do Jornal Correio Braziliense