A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) prendeu, nesta quinta-feira (16), Alan Braga, de 41 anos, investigado por disseminar discursos de ódio contra mulheres, pessoas negras e nordestinos por meio de publicações nas redes sociais. A operação foi realizada pela 8ª Delegacia de Polícia (SIA), que cumpriu mandado de busca e apreensão em Ceilândia.
Segundo a investigação, Alan utilizava um perfil para divulgar conteúdos discriminatórios e ofensivos, com indícios da prática dos crimes de racismo e injúria racial, além de manifestações de caráter misógino.
As investigações começaram após policiais da Seção de Atendimento à Mulher (SAM) identificarem comentários ofensivos publicados pelo investigado em uma postagem da própria PCDF no Instagram. A publicação divulgava o evento “Elas Fazem a Polícia”, promovido pela Divisão Integrada de Atendimento à Mulher (Diam), iniciativa voltada à valorização da atuação feminina na corporação.
Nas mensagens, o suspeito atacava mulheres que participavam da discussão e fazia críticas depreciativas à Polícia Civil.
Durante a apuração, a PCDF identificou que o perfil pertencia a Alan Braga com o auxílio de uma ferramenta de reconhecimento facial, que comparou imagens publicadas pelo próprio investigado, além da análise de outras informações da conta. A corporação também solicitou à Meta os dados cadastrais do perfil, mas informou que ainda aguarda resposta da empresa.
Os policiais encontraram diversas publicações com ataques direcionados a grupos inteiros em razão da cor da pele e da origem regional, além de mensagens ofensivas contra pessoas específicas. Segundo a Polícia Civil, os elementos reunidos permitem a investigação tanto pelos crimes de racismo quanto de injúria racial.
Pelas condutas investigadas, Alan Braga poderá responder por crimes cujas penas podem chegar a cinco anos de reclusão, sem prejuízo de outras acusações que possam surgir no decorrer das investigações.
O mandado de busca e apreensão teve como principal objetivo recolher celulares, computadores e outros dispositivos eletrônicos utilizados pelo investigado. A Polícia Civil quer verificar se as publicações eram iniciativas individuais ou se havia eventual ligação com grupos, comunidades virtuais ou organizações dedicadas à disseminação de discursos de ódio, radicalização e extremismo na internet.
