Polícia investiga possível erro médico após morte de terapeuta durante procedimento para coleta de óvulos em São Paulo

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A Polícia Civil de São Paulo investiga se houve erro médico na morte da terapeuta Gabriela Moura, de 31 anos, após complicações registradas durante um procedimento de coleta de óvulos realizado na Clínica Genics, localizada na zona sul da capital paulista. Embora o caso tenha ocorrido em fevereiro, a situação ganhou ampla repercussão nesta semana.

Imagens obtidas pela TV Globo mostram a movimentação na clínica no dia 17 de fevereiro, data em que Gabriela realizou o procedimento. Às 8h18, a recepção apresentava fluxo normal de pacientes e funcionários. Poucos minutos depois, às 8h35, uma equipe de resgate chegou ao local. A terapeuta deixou a unidade em uma ambulância às 9h12.

De acordo com informações registradas no prontuário médico, a equipe identificou uma alteração grave durante o atendimento. A médica responsável relatou que o anestesista constatou ausência de pulso na paciente, dando início imediato às manobras de reanimação cardíaca. Gabriela chegou a ser estabilizada e apresentava batimentos cardíacos quando foi intubada.

No mesmo documento, o anestesista descreveu que a paciente apresentou dificuldade respiratória, quadro que evoluiu para uma parada cardiorrespiratória. Após as primeiras manobras, Gabriela voltou a respirar, mas sofreu uma nova parada cardíaca, exigindo novas intervenções médicas.

A terapeuta ficou internada por sete dias em um hospital particular da região central de São Paulo, mas não resistiu às complicações. Após a confirmação da morte, seus órgãos foram doados e o corpo foi levado para Teresina, no Piauí, cidade natal onde ocorreu o sepultamento.

O caso foi registrado como morte suspeita e a investigação aguarda a conclusão do laudo do Instituto Médico Legal (IML), considerado essencial para esclarecer a causa da morte.

A demora na emissão do documento tem provocado questionamentos da família. Em entrevista à TV Globo, o advogado Yuri Felix afirmou que a situação causa estranheza.

“Não é razoável que uma jovem em plena saúde, sem comorbidades, entre em uma clínica para um procedimento considerado simples e saia sem vida”, afirmou.

O marido da terapeuta, Samuel Moura, também falou sobre a perda.

“O sonho acabou. Eu ainda não consegui tirar a aliança”, declarou.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que aguarda a conclusão do exame toxicológico, necessário para finalizar o laudo necroscópico, e confirmou que os médicos envolvidos no procedimento já prestaram depoimento.

A Clínica Genics lamentou a morte de Gabriela, informou que possui todas as licenças e certificações necessárias para funcionamento e afirmou que exames realizados anteriormente indicavam condições adequadas para a realização do procedimento. A unidade também disse estar colaborando com as investigações.

A Polícia Civil também investiga a morte da juíza Mariana Francisco Ferreira, que faleceu no início deste mês após complicações decorrentes de um procedimento de coleta de óvulos realizado em uma clínica de Mogi das Cruzes, na Região Metropolitana de São Paulo.