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Cotado para ser candidato ao Planalto, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) tem atuado para minar a candidatura à Presidência do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Também cotado pelo seu partido para disputar o cargo, o parlamentar fluminense era aliado do chefe da equipe econômica do governo Temer, mas tem buscado afastar seu perfil do de Meirelles.

A movimentação de Maia ocorre em meio à um aumento considerável de compromissos na agenda de Meirelles. Na sexta-feira, 6, por exemplo, o ministro da Fazenda participou de evento evangélico em Brasília. Aliados do presidente da Câmara e do próprio governo já começaram, inclusive, a atacar o ministro, caso do deputado federal do Amazonas e secretário-geral do DEM, Pauderney Avelino, o qual afirmou que Meirelles deveria estar preocupado em aprovar a reforma da Previdência e não com sua candidatura às eleições presidenciais.

Maia e Meirelles tiveram opiniões discordantes sobre a mudança na chamada “regra de ouro”. Meirelles se diz contrário à proposta que se desenha na Câmara dos Deputados, que prevê uma suspensão, segundo ele, “pura e simples”. O ministro defende que se crie mecanismos autorreguláveis, para congelar gastos e o corte de despesas e subsídios, caso ocorra a quebra da regra.

Já para o presidente da Câmara, não haverá discussão sobre a regra de outro nesse ano na Câmara, mas, se o governo quiser, pode apresentar a PEC (Proposta de Emenda à Constituição). A PEC, que propõe a alteração da regra, estava sendo desenvolvida pelo deputado do PMDB do Rio de Janeiro, Pedro Paulo, à pedido de Maia, desde uma reunião entre os dois, no fim da última semana, com a presença de Temer.

Possíveis presidenciáveis

Mesmo com as articulações de Maia, o ministro da Secretaria-Geral, Moreia Franco, abriu as portas do PSDB para Henrique Meirelles ser candidato ao Planalto, no entanto, afirmou que o ministro da Fazenda terá que “trabalhar” para conseguir mais apoio. Maia e Meirelles ainda disputam com o governador tucano Geraldo Alckmin o sonho da candidatura de centro, com apoio dos partido da base governista. O presidente Temer, inclusive, tem exigido a defesa do legado econômico de seu governo por ambas as partes.

Apesar de Maia buscar a desestabilização da candidatura de Meirelles, é Alckmin quem é visto pelo presidente da Câmara como principal concorrente ao cargo de Presidente, pelo menos é o que dizem seus aliados. Uma justificativa desse fato seria que o ministro da Fazenda não conseguiria concorrer, visto que, dentre outros motivos, não possui apoio nem mesmo dentro de seu próprio partido.

Estratégia de Maia

Enquanto a decisão sobre a possível candidatura de Henrique Meirelles fica para Abril, como o próprio ministro já deixou claro, a estratégia de Maia e de seus aliados é desgastar a imagem do homem forte da Economia de Michel Temer. Como ambos defendem a reforma previdenciária, Maia se mostrará como “defensor radical” da agenda reformista, enquanto, para Meirelles, sobrará o “desgaste” com os parlamentares.

Danilo Forte (DEM-CE), um dos aliados do presidente da Câmara defende que Meirelles tem de cumprir a tarefa dele no Ministério da Fazenda e não pode confundir política partidária com política econômica, pois, para ele, fazer política fiscal eficiente e fazer parte do “balcão de negócios” da política não combina.

Um exemplo desses atritos lançados para Meirelles é o veto de Temer ao projeto que criou um programa de parcelamento de dívidas tributárias, conhecido como Refis, para micro e pequenas empresas. Na ocasião, Maia não se posicionou sobre o assunto e ainda deixou claro aos parlamentares que a medida foi derrubada pelo presidente por orientação da equipe econômica.

Mesmo com os crescentes atritos, contudo, Meirelles minimizou informações de que Rodrigo Maia tentava, nos bastidores, inviabilizar sua potencial candidatura. O ministro da Fazenda lembrou ainda de como o presidente da Câmara foi importante na aprovação da PEC do Teto de Gatos e da reforma trabalhista e disse que os dois continuam trabalhando juntos para aprovar a reforma da Previdência.

Com informações O Globo