Presidente Lula muda comando da Previdência Social; pesquisa apontou que 85% dos brasileiros queriam a saída de Carlos Lupi

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O desfecho de uma reunião entre o Ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não poderia ser outro: desgastado após o escândalo de desvio de dinheiro dos aposentados e pensionistas do INSS, Lupi não resistiu às pressões e entregou, nesta sexta-feira (2), o cargo que ocupava desde o início da gestão petista. A informação foi antecipada pelo Jornal O Globo. O secretário-executivo da pasta, Wolney Queiroz, substitui Carlos Lupi no comando do Ministério da Previdência Social.

O Palácio do Planalto esperava que, logo após o escândalo estourar e atingir uma das áreas mais sensíveis do ponto de vista social para a administração petista, Carlos Lupi tivesse um gesto de grandeza para se afastar do cargo até as investigações isentá-lo de qualquer responsabilidade sobre as fraudes.

Ao invés dessa postura, Lupi tentou, porém, costuras, se apegou ao cargo, deu declarações para dizer que impôs normas para evitar os descontos indevidos, mas não convenceu o Governo, nem os brasileiros: uma pesquisa do Instituto Atlas Intel apontou que 85% dos entrevistados queriam a demissão do pedetista.

FRAUDE DE R$ 4 BILHÕES NA GESTÃO DE LUPI

A fraude nos benefícios previdenciários gerou constrangimento e desgastes para o Governo Federal. As investigações da Polícia Federal da Controladoria Geral da União (CGU) revelaram que o INSS foi omisso na adoção de medidas para conter a sangria de dinheiro dos aposentados e pensionistas.

Entidades sindicais e associativas abocanharam, nos anos de 2023 e 2024, R$ 3 bilhões e 940 milhões dos benefícios de aposentadorias e pensões. A quase totalidade dos descontos foi feita sem autorização dos beneficiários. O dinheiro engordou os cofres de associações que receberam respaldo do INSS para os descontos indevidos.

ESCALADA DAS FRAUDES
A escalada dos descontos indevidos chegou ao então Ministro Carlos Lupi no mês de julho de 2023, mas o alerta foi ignorado. Durante a reunião do Conselho Nacional da Previdência Social, a conselheira Tonia Galleti fez um relato sobre a disparada no número de queixas de aposentados e pensionistas que estavam sofrendo, sem autorização, descontos em seus benefícios.

Sem determinar investigação sobre o relato da conselheira, o comando do Ministério da Previdência Social deu margem para as fraudes continuarem e se transformarem em um dos maiores escândalos da história do INSS.
As investigações derrubaram, no mesmo dia da ‘’Operação Sem Desconto’’, realizada pela Polícia Federal e pela Controladoria Geral da União (CGU), o presidente do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), Alexandre Stefanuto.

A crise caiu no colo de Lupi que, também, não resistiu ao desgaste, entregou o cargo e deixou um abacaxi azedo para o Governo do presidente Lula administrar. A cada dia, as investigações revelam o esquema de fraudes e o destino de parte do dinheiro roubado de aposentados e pensionistas.