Após meses de críticas, filas crescentes e sucessivos problemas operacionais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu demitir, nesta segunda-feira (13), o presidente do INSS, Gilberto Waller, que estava no cargo há 11 meses. A medida é vista como uma tentativa de conter o agravamento da crise no instituto, marcada pela escassez de servidores, falta de concursos, falhas no sistema digital e demora nas perícias médicas.
Gilberto Waller havia assumido a presidência do INSS no ano passado, em meio às investigações sobre descontos indevidos em aposentadorias e pensões, mas acabou se desgastando diante do aumento expressivo da fila de requerimentos. Em março, o número de pedidos pendentes chegou a 2,6 milhões, acendendo o alerta no Palácio do Planalto sobre os impactos políticos da situação.
A demissão foi anunciada pelo ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, que já vinha em rota de colisão com Waller desde 2025. Um dos principais pontos de tensão era justamente a dificuldade em reduzir o estoque de processos.
Para o lugar de Waller, o governo nomeou Ana Cristina, servidora de carreira do INSS desde 2003. Antes, ela ocupava o cargo de secretária-executiva adjunta do Ministério da Previdência e presidiu por quase três anos o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS).
O ministro, por meio de nota, destacou a mudança como necessária para um novo momento na gestão. “Agradeço a Gilberto Waller pela importante contribuição nesse período e dou as boas-vindas à Dra. Ana Cristina. Ela tem o perfil ideal para iniciar esse novo momento e cumprir a determinação do presidente Lula, que é solucionar a fila e não deixar nenhum brasileiro para trás”, afirmou. Ele também ressaltou o fortalecimento da presença feminina na cúpula do órgão.
FILAS INTERMINÁVEIS
Os números do INSS evidenciam o tamanho do desafio. Em dezembro de 2022, havia cerca de 1,087 milhão de pedidos pendentes. Entre o fim de 2022 e o início de 2026, a fila praticamente triplicou, chegando a patamares próximos de 3 milhões. Dados mais recentes indicam leve redução, com queda de 3,1 milhões para 2,7 milhões em março, mas ainda distante de um cenário considerado ideal.
Mesmo com o anúncio de que 1,625 milhão de processos foram concluídos apenas em março — um recorde —, o fluxo diário de novos requerimentos, estimado em cerca de 61 mil, mantém a pressão sobre o sistema. Nos bastidores, auxiliares do governo reconhecem que a melhora ainda não foi suficiente para reverter a percepção negativa da população, especialmente em um ano pré-eleitoral.
A troca no comando do INSS ocorre, portanto, em meio à tentativa do governo de dar uma resposta rápida a um dos principais gargalos da Previdência e evitar que o problema se transforme em desgaste ainda maior no cenário político.
Desde o início da gestão, o Governo Lula não conseguiu domar os problemas na área da previdência social e ainda se viu acossado por uma CPMI que, embora fracassada, mostrou que os gargalos no INSS vão muito além das linhas filas.
