Candidatos cotistas relatam problemas no processo de pré-seleção para o Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies). Os estudantes denunciam falhas como: listas de chamadas não são atualizadas; candidatos com notas menores são chamados antes de outros com notas maiores; e vagas de cotas sendo transferidas para ampla concorrência. O Ministério da Educação (MEC) sustenta que as regras do processo seletivo do Fies 2025 estão sendo rigorosamente seguidas.
Os estudantes afirmam que os problemas começaram em 25 de fevereiro, quando as listas de espera deveriam ser atualizadas e não foram. Em 10 de março, o MEC publicou um post nas redes sociais alertando os candidatos sobre a lista de espera. Os comentários demonstraram a revolta e angústia dos jovens que até esta quinta-feira (20) não sabiam da sua situação por falta de atualização.
Denuncias de desorganização
A última lista para Pretos, Pardos, Indígenas e Quilombolas (PPIQ) foi atualizada no começo da madrugada de sexta-feira passada. A atualização, contudo, aumentou a revolta nos candidatos.
Em razão desses problemas, alguns candidatos se organizam para recorrer à Justiça. Jovens relataram ao correio braziliense que entrarão com um processo contra o MEC e outros até pediram mandados de segurança para assegurar as vagas. Os advogados aconselharam que cada um entrasse com um processo individual ao invés de um coletivo.
Os alunos escreveram uma carta para a Coordenação do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e o Ministério da Educação. No documento, identificam problemas em 30 instituições de todo o Brasil. Os estudantes listam como irregularidades: vagas de cotas PPI e PCD sendo transferidas para ampla concorrência; falta de atualização das listas de espera; e erros no processo de seleção do FIES Social e FIES Normal.
Em resposta o MEC informou que as regras do processo seletivo do Fies 2025 estão sendo rigorosamente seguidas, conforme estabelecido no Edital nº 3. De acordo com a pasta, até o dia 13 de março, dos 104.817 candidatos convocados, 46.780 foram chamados para ocupar vagas reservadas a cotistas, incluindo Pretos, Pardos, Indígenas e Quilombolas (PPIQ) e Pessoas com Deficiência (PCD). O MEC também ressaltou que, apenas na convocação da lista de espera divulgada em 7 de março, quatro mil cotistas foram chamados, refutando as alegações de que as vagas reservadas estariam sendo desviadas para ampla concorrência.
O ministério explicou ainda que a política de reserva de vagas no Fies e no Fies Social foi implementada a partir de 2024, levando em consideração a proporção da população PPIQ e PCD em cada estado, conforme dados do Censo do IBGE. O processo de convocação seguirá até o dia 9 de abril, conforme o cronograma oficial.
Fonte: Correio Braziliense
