O projeto da Empresa de Tecnologia da Informação do Ceará (Etice) para utilizar a estrutura do Cinturão Digital do Ceará (CDC) como instrumento de atração de data centers para o Interior do Estado ganhou reforço técnico a partir de estudo apresentado pelo especialista sênior do Banco Mundial, Luciano Charlita de Freitas. O trabalho foi apresentado na última sexta-feira (22), durante o 24º Ciclo de Palestras do Núcleo de Direito Setorial e Regulatório da Universidade de Brasília (UnB).
A proposta do Ceará prevê a ativação de sete pares de fibras ópticas para estimular investidores a implantarem centros de processamento de dados em municípios com potencial de geração de energia renovável, especialmente energia solar e eólica.
O governador Elmano de Freitas tem destacado a atração de investimentos para o setor de tecnologia e infraestrutura digital como uma das prioridades da estratégia de desenvolvimento econômico do Estado, especialmente na área de data centers.
Segundo Luciano Charlita, a presença de uma rede de alta velocidade, baseada em fibra óptica, é considerada o principal elemento para tornar viável a interiorização dos investimentos.
“A fibra óptica é a regra de ouro para garantir baixa latência e alta capacidade de tráfego de dados”, observou o especialista, destacando que sem essa infraestrutura a expansão dos investimentos para além dos grandes centros torna-se tecnicamente inviável.
O estudo destaca que Fortaleza já ocupa posição estratégica nacional por concentrar 16 cabos submarinos internacionais, fator que garante baixa latência e transforma a capital cearense em uma das principais portas de entrada de dados do país.
A ampliação dessa estrutura para o Interior permitiria o desenvolvimento dos chamados data centers de borda (edge computing), modelo que processa informações mais próximo dos usuários e reduz o tempo de resposta dos serviços digitais.
Na prática, isso permitiria que moradores de municípios do Interior utilizassem aplicações avançadas, como inteligência artificial, serviços em nuvem e plataformas de streaming, sem necessidade de processamento distante, aumentando a velocidade e a eficiência dos serviços.
Competição global
Durante a apresentação, Charlita também chamou atenção para a necessidade de o Brasil acelerar estratégias nacionais para o setor. O especialista citou o programa Redata, criado para posicionar o país como centro global de serviços e produtos relacionados a dados.
Segundo ele, enquanto o debate nacional avança de forma mais lenta, outros países vêm ampliando investimentos e ocupando espaços estratégicos no mercado internacional.
Mercado em expansão
O estudo também aponta que os dados passaram a ter peso econômico semelhante ao de commodities tradicionais. Nesse ambiente, fatores como custo de energia, disponibilidade de infraestrutura e segurança regulatória influenciam diretamente a decisão das grandes empresas de tecnologia sobre onde investir.
De acordo com as projeções apresentadas pelo especialista, o mercado brasileiro de data centers cresce atualmente cerca de 20% ao ano, podendo alcançar US$ 300 bilhões até 2030, consolidando a infraestrutura digital como uma das bases da economia mundial nas próximas décadas.
