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Em nota assinada pela recém-eleita presidente Gleisi Hoffmann, o Partidos dos Trabalhadores (PT) ‘lamenta o constrangimento’ sofrido pela jornalista e colunista do GLOBO Míriam Leitão em voo de Brasília para o Rio de Janeiro no último sábado. Conforme o relato em sua coluna desta terça-feira, Míram foi alvo de contínuas hostilidades e agressões verbais por parte de dirigentes do PT que retornavam para o Rio após o congresso do partido no último sábado.

Míriam foi agredida verbalmente desde a sala de embarque e durante todo o voo, sem que os comandantes da Avianca tenham repreendido os dirigentes petistas. A colunista chegou a ser convidada, em recomendação que seria da Polícia Federal, segundo a tripulação, a mudar de lugar, o que foi recusado.

Depois de dizer que orienta sua militância a “não agredir qualquer pessoa por suas posições políticas ou ideológicas”, o partido atribui o acirramento no país ao trabalho da imprensa. “A Rede Globo, empresa para a qual trabalha a jornalista Miriam Leitão, é, em grande medida, responsável pelo clima de radicalização e até de ódio por que passa o Brasil”, diz a nota do PT.

Já a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo repudiou, também em comunicado, “o comportamento dos passageiros que, de maneira covarde e intolerante, atacaram a colunista Míriam Leitão”, diz a nota. “A violência, a intolerância e a incompreensão do papel da liberdade de expressão, ao contrário, podem ferir de morte o regime democrático”.

A Avianca disse que “repudia veementemente qualquer ação que viole os direitos dos cidadãos” e que “o procedimento objetivo seguido pelo comandante, no estrito cumprimento de suas funções, seguiu a praxe do setor para esses casos”.

A companhia afirmou ainda que solicitou a presença da Polícia Federal na aeronave após “detectar tumulto que poderia atentar à segurança operacional e integridade dos passageiros”.

A NOTA DO PT NA ÍNTEGRA:

O Partido dos Trabalhadores lamenta o constrangimento sofrido pela jornalista Miriam Leitão no voo entre Brasília e o Rio de Janeiro no último dia 3 de junho, conforme relatado por ela em sua coluna de hoje. Orientamos nossa militância a não realizar manifestações políticas em locais impróprios e a não agredir qualquer pessoa por suas posições políticas, ideológicas ou por qualquer outro motivo, como confundi-las com as empresas para as quais trabalhem.

Entendemos que esse comportamento não agrega nada ao debate democrático. Destacamos ainda que muitos integrantes do Partido dos Trabalhadores, inclusive esta senadora, já foram vítimas de semelhante agressão dentro de aviões, aeroportos e em outros locais públicos.

Não podemos, entretanto, deixar de ressaltar que a Rede Globo, empresa para a qual trabalha a jornalista Miriam Leitão, é, em grande medida, responsável pelo clima de radicalização e até de ódio por que passa o Brasil, e em nada tem contribuído para amenizar esse clima do qual é partícipe. O PT não fará com a Globo o que a Globo faz com o PT”.

A NOTA DA ABRAJI NA ÍNTEGRA

“A repórter e colunista de O Globo Míriam Leitão foi gravemente assediada durante um voo de Brasília ao Rio de Janeiro há 10 dias, no sábado, 3.jun.2017. Sua partida da Capital Federal coincidiu com o encerramento do 6º Congresso Nacional do PT, e havia cerca de 20 delegados do partido no mesmo avião.

As ofensas começaram no portão de embarque e seguiram durante todo o voo, como relata a jornalista em sua coluna no jornal O Globo de 13.jun.2017. A tripulação convidou-a a trocar de assento, mas não reprovou a conduta dos que, aos gritos, a ameaçaram, provocaram e ofenderam.

A Abraji repudia o comportamento dos passageiros que, de maneira covarde e intolerante, atacaram a colunista Míriam Leitão. Não há nada que justifique assédio violento a qualquer cidadão por suas posições ou seus atos. Infelizmente o acirramento de posições políticas tem levado à proliferação de situações como essa, seja em aviões, restaurantes e mesmo hospitais.

O dissenso é saudável para uma democracia, e o embate civilizado de ideias é o melhor caminho para a construção de uma sociedade mais justa. A violência, a intolerância e a incompreensão do papel da liberdade de expressão, ao contrário, podem ferir de morte o regime democrático.”

Com informações O Globo