Quarenta e três anos após sua morte, Garrincha ganha obituário do New York Times e tem legado reconhecido

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Quarenta e três anos após a morte de Manoel Francisco dos Santos, o Garrincha, o jornal The New York Times publicou um obituário dedicado a um dos maiores nomes da história do futebol mundial. A homenagem integra a série “Overlooked No More” (“Não mais esquecidos”), criada para reconhecer personalidades que, apesar de sua importância, não receberam um obituário do diário norte-americano na época de suas mortes.

Publicado no site do jornal em 10 de julho e na edição impressa da última segunda-feira, o texto recebeu o título “Garrincha, o brilhante e ferido herói brasileiro das Copas do Mundo”.

Assinado pelo jornalista Jeré Longman, o obituário percorre a trajetória do craque desde a infância em Pau Grande, na Baixada Fluminense, até se transformar na lendária “Alegria do Povo”. O texto destaca que o corpo de Garrincha parecia desafiar a lógica do futebol — com uma perna arqueada para fora e a outra mais curta e voltada para dentro —, justamente a característica que tornou seus dribles imprevisíveis e inesquecíveis.

O jornal relembra o protagonismo do ponta-direita nas conquistas das Copas do Mundo de 1958 e 1962, especialmente no segundo título, quando assumiu a liderança da Seleção Brasileira após a lesão de Pelé e foi decisivo nas vitórias sobre Inglaterra e Chile.

Mais do que exaltar suas conquistas, o New York Times retrata Garrincha como um jogador único, capaz de transformar partidas em espetáculo com um estilo irreverente, criativo e impossível de ser reproduzido.

A publicação também aborda o lado mais doloroso de sua história. Fora dos gramados, Garrincha enfrentou problemas familiares, dificuldades financeiras e uma longa luta contra o alcoolismo. O craque morreu no Rio de Janeiro, em 20 de janeiro de 1983, aos 49 anos, vítima de complicações relacionadas à dependência alcoólica.

Criada em 2018, a série “Overlooked No More” nasceu para corrigir lacunas históricas do próprio jornal, que reconheceu ter privilegiado, ao longo de sua trajetória, obituários de homens brancos, deixando de registrar a morte de mulheres, negros e outras personalidades de relevância mundial.

Ao incluir Garrincha na iniciativa, o New York Times admite uma dívida histórica com um dos maiores jogadores de todos os tempos e presta um reconhecimento internacional ao legado do “Anjo das Pernas Tortas”, cuja genialidade continua encantando gerações e consolidando seu lugar entre os maiores ídolos do futebol mundial.